José Albano Salter Cid Ferreira Tavares, de nome artístico José Cid, nasceu na Chamusca a 4 de Fevereiro de 1942. Tem setenta e sete anos, é monárquico e habita na Anadia.

Conhecido autor, produtor, compositor, cantor e músico, é o criador de êxitos como, “No dia em que o rei faz anos”, “A minha música”, “A Cabana”, “Addio adieu auf wiedersehen goodbye”, '20 anos’, “10 000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”, este último considerado pela revista norte americana Billboard um dos cem melhores discos de rock sinfónico, tendo em 2018 recebido o prémio de maior prestigio cultural nacional; o Globo dos Globos de Ouro. Estes são apenas alguns êxitos que fazem parte dos cerca de quarenta Álbuns que já editou.

Foi através do telefone, no intervalo de uma gravação em estúdio que nos atendeu. Atencioso e simpático como sempre, com a voz amistosa, firme e calma, respondeu-nos frontalmente e sem rodeios como é seu apanágio, às breves questões que lhe apresentamos, sem se esquivar mesmo às mais incómodas.

Estará connosco na próxima edição “O melhor de Portugal” no próximo mês de Maio , no Parque do Cinquentenário em Bruxelas, a 7a edição do evento O Melhor de Portugal pela primeira vez exclusivamente organizado pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).


Manuel Araujo - Luso.eu - Desde 1967 quando começou a sua carreira, lembra-se ainda, onde foi o seu primeiro espectáculo?
José Cid - Sim, foi em Coimbra em 1958

Luso.eu- Quantos trabalhos já publicou?
JC - São aproximadamente 40 álbuns.

Luso.eu- Todos sabemos que o espectáculo na EXPO 98, “10.000 Anos Depois, Entre Vénus e Marte”, foi um marco. Há outro espectáculo mais importante que este na sua carreira ?
JC - Expo 98? Já lá vai muito tempo… Depois disso, houve sete Campos Pequenos seguidos e esgotados entre 2008 e 2016 e em 2018 o S. João no Porto, para 170 mil pessoas loucas de alegria, as Festas do Mar em Cascais para 70 mil, foi incrível, e a Expofacic com um concerto memorável, entre muitos outros. Este ano 2019 tenho já agendados novos grandes concertos. Vamos ver!

Luso.eu - Quer falar-nos do actual panorama da música portuguesa?
JC - Há bons valores e boas vozes. Faltam grandes melodias e poesia mais inspirada. No fado o mesmo. Mas isso é culpa dos novos tempos...

Luso.eu - Houve em tempos uma Lei, que obrigava as rádios a passar mais música portuguesa. Isso mudou algo? Há mais música portuguesa na rádio?
JC -  Cumpre-se a lei mas passam a música nacional de madrugada o que é só uma estratégia. A Antena 1 é excepção, nas outras grandes rádios mandam as Multinacionais e o bi dos cantores e grupos, dita as passagens o que nem sempre é justo.

Luso.eu - Sobre a indignação criada à volta da polémica dos transmontanos, acha que ela reflectiu o que o povo transmontano pensava?
JC - O bom povo de Trás-os-Montes foi arrastado pelas redes sociais preservas, ligadas à música pimba e que têm profunda inveja de eu aos 75 anos, ter uma homenagem pública e nacional com grandes concertos de Norte a Sul como ninguém teve até hoje! A minha entrevista dada ao canal de televisão Q tem 9 anos! E durante 7 anos ninguém mais falou dela! Sintomático! Eu, sete anos depois pedi humildemente desculpas com retroactivos! Adoro Trás-os-Montes e no contexto da entrevista referi "excursões de camioneta" e não toda uma região!
Repare: quando o Alberto Joao Jardim chamou filhos de Put* aos continentais o país inteiro ficou calado!

Eu estava com uns copos a mais num programa de humor e há coisas que saem da boca e não do coração! Pedi várias vezes desculpas (o que quase ninguém faz!) mas as redes sociais continuam a instigar rancores dez anos depois! Será possível?
No entanto foi uma batalha que perderam pelos vistos! Nos últimos anos o país inteiro percebeu a estratégia deles!

Tenho muitos amigos e amigas no norte e o país não deixaram de acarinhar-me, por perceberem rapidamente que eram as redes sociais pela negativa! Adoro Trás-os-Montes e até na segunda-feira de Carnaval parei por lá!

Luso.eu - Festival da Canção. Não lhe pedimos para individualizar concorrentes, mas acha que a música levada a concurso representa de facto o povo e a cultura portuguesa?
JC - Para a Eurovisão não e' obrigatório um tema que represente as nossas raizes musicais! Mas.... era aconselhável! (só que ninguém percebe!)

Luso.eu - Para o público em geral, a forma da votação é um tanto obscura. Fala-se até de “vencedores antecipados”. Concorda com a afirmação?
JC -  Olhe, o Televoto não tem cara! Mas é este o sistema da Eurovisão universalmente definido! Quanto a ”vencedores antecipados" não acredito! Isso aconteceu nos anos 70 e 80! 😂

Luso.eu - Depreendo pela sua resposta que o futuro da música portuguesa está doente. É verdade?
JC -  Não de todo! Está a fazer-se excelente música nas novas gerações (e nas antigas também)

LUSO - O Ministério da Cultura, ou alguma outra instituição, apoia os Artistas de qualquer forma?
JC -  O Ministério da Cultura é um emprego (ou um lobby politico) e não uma instituição com visão cultural portuguesa! (os adidos culturais nas embaixadas idem, aspas)

Luso.eu - É do conhecimento público o aproveitamento escandaloso de alguns artistas famosos que plagiam letras e músicas, chamando-lhe “adaptações”. Sabemos que plágio é roubo, é crime. O que fazer?
JC -  Não me posso substituir ao Ministério Público, nem negar a evidencia! O pior é não reconhecerem publicamente a verdade, continuando a negar, a pagar as multas e a prometer total originalidade daqui para a frente, pedindo canções a compositores credíveis!
Essa coisa das "adaptações" é ridículo! O Marco Paulo sempre cantou versões (“adaptações”) mas assumiu-as.

Luso.eu - Pelo que nos é dado a conhecer é a primeira vez que que actua na Bélgica. Como espera que vá ser mais esta“primeira vez”?
JC -  Naturalmente. Há sempre a primeira vez.

Luso.eu - Quer deixar uma palavra aos nossos “bruxelenses” ?
JC -  Vai ser muito bom reencontrar o público português em Bruxelas e embora este não seja o meu concerto a nível nacional, vou cantar alguns temas que estão à espera e alegrar a festa!

Biografia resumida

Nasceu na Chamusca a 4 de Fevereiro de 1942. A fama chegou-lhe inicialmente através da sua participação como teclista e vocalista no Quarteto 1111, onde obteve grande êxito com a canção “A lenda de El-Rei D. Sebastião”. Esta canção, inovadora para a época, apresentava sons diferentes daqueles a que o público estava habituado, com reflexos psicadélicos. Ainda com o quarteto, concorreu ao festival da canção de 1968, com “Balada para D. Inês” ( https://youtu.be/o8XiZQShNP4 ).

Em 1973, a banda adopta o nome Green Windows, numa tentativa de internacionalização.

Uma das suas composições mais conhecidas, “Ontem, Hoje e Amanhã”, (https://youtu.be/fNopRwp9akk ) recebe o prémio “outstanding composition” no Festival Yamaha de Tóquio, em 1975, deixando para trás nomes como Elton John ou os espanhóis Aguaviva.

Em 1978 publica o álbum “10000 depois entre Vénus e Marte”, (https://youtu.be/QQFGGfTYvx4 ) um marco na história do rock progressivo, e que vem a obter mais tarde reconhecimento a nível internacional.

José Cid concorreu ao Festival da Canção de 1978 com três composições, alcançando o 2º lugar com “O meu piano” ( https://youtu.be/j1iOAnGgQCI ). Em 1980, com a canção “Um grande, grande amor”, vence este certame com 93 pontos.

No eurofestival da canção de 1980, José Cid conquista um honroso 7º lugar com 80 pontos entre 19 concorrentes.

É o autor de outros grandes êxitos, como “Olá vampiro bom” (https://youtu.be/TWWJ-cbYeiM), “A Rosa que te dei”(https://youtu.be/JbvSHi-YcuQ), “Como o macaco gosta de banana”, “Mosca Superstar” ou “Cai neve em Nova York” (https://youtu.be/BVK-8EDNJkQ).
É monárquico e vive actualmente na Anadia.

Manuel Araújo
Jornalista colaborador
Pode ler mais sobre este colaborador
Artigos deste Autor:

Pub