(Lusa) – O Presidente da República admite em entrevista à Lusa a possibilidade de ir ao bairro da Jamaica, no Seixal, onde se registaram incidentes violentos com a polícia no último domingo.

“Não é uma impossibilidade lá ir mais dia menos dia, como tenho estado em inúmeros bairros na Área Metropolitana de Lisboa e do Porto”, diz Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmando que não se deve generalizar incidentes como o de domingo, porque há “factos singulares que merecem investigação e responsabilização, nomeadamente criminal”, que deve ser feita, “quanto mais rápido melhor”.

Na entrevista que concedeu por ocasião do terceiro aniversário da sua eleição, a 24 de janeiro de 2016, o Presidente da República recorda que estando Portugal em período eleitoral, este é um tema que “obviamente entra no debate eleitoral”, pelo que “deve estar presente primeiro uma preocupação, que nesse debate não [deve] haver generalizações”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a questão principal é, todavia, o argumento de que “radicalismo atrai radicalismo”.

“Aquilo que temos de evitar na sociedade portuguesa é que, precisamente através de uma radicalização no tratamento destas e de outras questões, acabar por sacrificar o tecido social em termos de coesão, porque se acaba por semeando ventos colher-se tempestades”, destaca.

Relembrando uma conversa com os alunos do liceu Passos Manuel, o chefe de Estado afirma que se “é verdade que grandes causas transformadoras da humanidade começaram por ter vanguardas minoritárias que as defenderam, em democracia só lograram vencimento quando essas minorias ganharam para essas causas as maiorias, e não quando se enquistaram como minorias afugentando as maiorias”.


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