Somos Todos Estrangeiros" - Entrevista com Aline Yasmin, produtora do Cine Luso

ID:N°/ Artigo: 2447
Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

Com uma larga experiência na internacionalização de artistas brasileiros para a Europa e mundo, e vários anos dedicados à cultura nas suas múltiplas vertentes, a produtora e responsável pelo projecto Cine Luso Espirito Mundo, Aline Yasmin, falou com luso.eu sobre a segunda edição “Somos Todos Estrangeiros” - Memória. Identidade. Território. Migrações, a acontecer de 5 a 23 de Novembro, em Bruxelas. Esta "exilada cultural" como se gosta de identificar, explica as razões do tema, o novo formato cine-debates, os eixos que o compõem e da importância do cinema documental como processo de reflexão. Leia aqui a entrevista.

LusoProdutins - O tema Migração é muito pertinente e actual. Quais os objectivos das 2ª edição do Cine Luso Espirito Mundo?

Aline Yasmin - Desde a primeira edição nos definimos que anualmente teríamos um tema a ser trabalhado. A questão da migração se faz urgente pois estamos diante de um processo de profunda reflexão em todo o mundo sobre o ser migrante. A lusofonia é por si um processo migratório e de estabelecimento de novas fronteiras. Nos pareceu claro que depois de estriarmos com o tema das mulheres - igualmente relevante - optássemos pelo tema que funda o proprio conceito do projeto que é o deslocar-se da humanidade na busca de outros territórios.

O objetivo em 2018 é claramente falar das migrações a partir do processo e suas nuances. Para tratarmos o tema criamos algumas linhas que tocam igualmente a memória e o sentido de pertencimento. Assim nos abordaremos também suas causas e processos históricos na lusofonia. 

LP - O que motivou a escolha de “Somos todos estrangeiros”?

AY - O Espirito Mundo era inicialmente um projeto de internacionalização e hoje é uma ASBL estabelecida na Bélgica e ja usava a questão das conexões com o "ser estrangeiro" nos projetos que desenvolvia. Sempre nos vimos diante do Outro como artistas, criadores e produtores numa condição de reconhecimento mas também de estranhamento. O ser estrangeiro faz parte do dialogo. Perceber as diferenças - e criar a partir ou apesar delas - é um grande desafio. No final, nos entendemos na subtileza do processo criativo e aceitamos como mais importante a nossa humanidade.

LP - O que trás de novo esta edição em relação à de 2017?

AY - Estamos focados nos debates e no processo de construção. Dividimos o tema “Somos todos estrangeiros” por sub temas onde teremos a oportunidade de observar e dialogar sobre as diversas perspectivas integradas construídas nos eixos MEMÓRIA. IDENTIDADE. TERRITÓRIO E MIGRAÇÕES. 

Se falamos de memória podemos falar da construção identitária do Brasil ou das questões políticas da Africa lusófona com vários países intricados e ligados pela língua. Por outro lado, avaliamos os motivos que nos levam buscar outros territórios e como se sentir no mundo sendo parte dele por origem ou por afetividade.

Pensamos a língua como o elo fundamental e questionamos ser o elo existencial. Temos ainda a situação de povos originários da Amazonia que sofrem hoje ameaças em seus territórios de origem ao mesmo tempo que também sofrem os imigrantes. Vamos refletir sobre a questão da territorialidade no discurso do pertencimento e identidade. Teremos a participação de mediadores e oradores dos temas na sequência da exibição dos filmes. Os formatos são diversos e variam de curtas a longas. Neste ano, todos são documentários e preferencialmente produções independentes com um discurso critico. 

LP - Que tipo de colaboração artística irá acontecer durante o festival?

AY -Temos criadores convidados que representarão o Brasil e sua multiplicidade, Portugal e a Africa lusófona. Como no primeiro ano iremos realizar um curta metragem construído a partir dessa conexão no processo.Temos os convidados que virão do exterior e também os criativos que estão em Bruxelas e farão parte do processo de criação e produção na residência artística.  O resultado sera apresentado no ultimo dia com a partilha da experiência no processo.

LP - O que se espera dos realizadores convidados?

AY - Que possam trazer cada um o seu olhar e que seja esse o resultado. Que a gente possa conectar as diversas realidades através de dialogo e construção coletiva.

LP - Qual o resultado que se pretende com este evento?

AY - Nosso propósito é pensar o mundo em que vivemos. Acreditamos no audiovisual como um suporte importante e absolutamente revelador de cada realidade pois nos aporta o discurso por inteiro. Esperamos consolidar nosso projeto  cada vez mais e pensar desde ja as edições futuras.

LP - A quem este projeto se dirige ? que tipo de publico voce espera ?

AY - O publico em geral, de todas as faixas etárias mas especialmente para aqueles que desejam pensar o mundo de forma critica e ampliada e sobretudo que queiram conhecer novas perspectivas. Eh um evento lusófono aberto às mais de 180 nacionalidades que coexistem em Bruxelas e todas elas são muito bem-vindas.

Biografia

 Nasceu no Brasil, com cidadania italiana. Viveu em Italia, Irlanda e atualmente em Bruxelas. Formação em comunicação e marketing com especialização em eventos na  Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro, Graduada em filosofia pela Universidade Federal do Espirito Santo, Brasil. Especialista em Empreendimentos e cidades criativas pela Universidade Nacional de Cordoba, Argentina. Em 2017 frequentou o master em Gestion Cultural da Universidade Livre de Bruxelas ULB. Poeta com um livro publicado « Memória de Calculo » e dois monólogos encenados. Produtora internacional, consultora em economia criativa e gestora cultural. Socia-Diretora de Criação da Touché Ideias e Fatos, socio-fundadora da Unimus Cooperativa de Musica, fundadora e presidente do Instituto Quorum Produções Artísticas e Culturais, consultora do SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas  em desenvolvimento territorial da cultura no Brasil. Foi conselheira municipal na capital do Espirito Santo, representante da sociedade civil eleita na comissão das organizações não governamentais. Fundou o Arranjo produtivo Local do Espirito Santo – Nestor Gomes, reconhecido como um território criativo pelo Ministério da Cultura. Actuou nas políticas culturais do Brasil especialmente na promoção internacional da musica e foi eleita delegada em diversas conferencias publicas municipais, estaduais e federais de cultura no Brasil. Produziu centenas de atividades de intercâmbio internacional no exterior ao longo de 10 anos em diversos países da Europa.

 

Pub

Pub


RECOMENDADOS PARA SI

Restaurante Ricardos

GBOM DIA HOJE 16/08 

  • PERNA DE FRANGO NO FORNO
  • PEIXE ESPADA GRELHADO

Reserva on-line

Eventos este Mês

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Últimos Tweets

From Vimeo
Acabei de adicionar “Oca-Girafa Project” para o canal https://t.co/yei698KNE4 no #Vimeo: https://t.co/WCyep9tIZY
From Vimeo
Acabei de adicionar “Oca-Girafa Project” para o canal LusoProductions no #Vimeo: https://t.co/gor6ZM6DAZ
From Vimeo
Acabei de adicionar “Oca-Girafa Project” para o canal Luso Play no #Vimeo: https://t.co/U2qKX3zWfS
Follow Jornal das Comunidades on Twitter