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Entre 27 e 29 de março de 2017, decorreu, em Bruxelas, a 1ª edição do “Printemps Littéraire Brésilien” na Bélgica.
A iniciativa, criada em 2014 pelo professor Leonardo Tonus (Université Paris – Sorbonne) numa perspetiva de promoção e divulgação da cultura e da literatura lusófonas junto do público em geral e dos estudantes em particular, vai percorrer quatro países levando, durante cerca de três semanas, mais de trinta escritores brasileiros às cidades de Paris, Bruxelas, Lisboa, Évora, Óbidos e Barcelona.

O primeiro encontro em Bruxelas, que decorreu na Universidade Livre de Bruxelas, foi moderado pelo professor Frédéric Loualt da ULB e juntou os escritores Rafael Gallo, Antonio Salvador, Estevão Azevedo e Robson Viturino numa conversa à volta do tema “A literatura perante os desafios do Brasil atual”.
No dia 28 foi a vez da Embaixada do Brasil receber os escritores Estevão Azevedo, Marcelo Maluf, Márcia Tiburi, Sheyla Smanioto e Marta Barcellos num animado debate sobre os reptos que se colocam, no contexto político, cultural e social presente aos jovens escritores e à literatura brasileira contemporânea.

No dia 29, Marcos Peres, Nilma Lacerda, Henrique Rodrigues e Marta Barcellos estiveram na Embaixada de Portugal à conversa com estudantes de Português do Ensino Secundário e do Ensino Superior. Numa harmoniosa sinfonia entre o português europeu e o português do Brasil, falou-se do(s) modo(s) como a escrita e a leitura entraram nos percursos pessoais dos diferentes escritores; da construção das narrativas e das personagens; da forma como um escritor lida com a página em branco e com o receio da crítica; da importância da leitura na formação dos jovens; de como a leitura pode ser uma forma de felicidade.

A tarde terminou na livraria “La Licorne”, onde Rafael Gallo, Luísa Geisler, Rodrigo Ciríaco e Marcelo Moutinho entusiasmaram o público presente com a vivacidade do seu discurso e das suas narrativas.
Bruxelas iluminou-se de um sol radioso nestes dias, desta primavera literária, em que se viveu toda a riqueza e diversidade da literatura brasileira.
Como nos diz o narrador do belíssimo “Sortes de Villamor” de Nilma Lacerda, história de sonhos, ideais e sortes de Branca, uma francesa, descendente direta do Marquês de Villemaur, chegada a São Salvador sobrevivendo a um naufrágio:

“Acabei o que tinha de revisar nesta história, escrita neste alpendre, noites e noites incontáveis, houvesse ou não os pesadelos de Branca a me acordar. Vinha para cá, acendia a vela, molhava a pena no tinteiro, desenrolava os papéis. Tomei gosto por essa tarefa, e a história de Branca se contou misturada a outras histórias, à minha própria história. Acabei tomando na vida o rumo que sempre quis, e não sei bem o papel que as sortes de Branca tiveram nisso. O fato é que a francesa me fez deparar com a vida de uma forma que não pensava. […]
Sou jovem e já vi um bocado de coisa neste mundo, algumas extraordinárias, outras nem tanto, outras ainda, desprezíveis. Um livro é uma coisa extraordinária.”

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