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Sofia Santos

Iluminações de uma mulher livre de Samuel Pimenta – uma leitura para refletir na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher
“Estou a caminho da redenção. Da santidade. Sim, o meu caminho é o da santidade. Não a santidade submissa, gerida pelos homens. Quero a santidade real e libertária, a iluminação. É esse o plano. A iluminação deveria ser o desejo mais ardente da Humanidade”.

É assim que Isabel, a protagonista do mais recente romance do escritor Samuel Pimenta, nos apresenta o seu trajeto.
Isabel, nome com o qual fora nomeada pela mãe “por ser o nome da primeira mulher a reconhecer o Messias no ventre de Maria”, é a mulher que luta durante toda a sua vida contra as imposições exteriores: o poder austero da mãe; o saber inquestionável dos professores; a vontade intransigente do marido; o olhar punitivo dos vizinhos. Nesta refrega constante, a sua única arma é a vontade de ser vertical, fiel à sua natureza e à sua consciência; o desejo de “explorar todos os contornos da realidade”; a determinação de refletir, nos seus atos concretos, todos os ideias pelos quais lutaram as mulheres de todos os tempos.

Com efeito, o autor conduz-nos, pela voz de Isabel, num percurso pelos destinos de muitas outras mulheres que, no seu tempo, sem escudos de proteção, tiveram a ousadia de serem diferentes. Somos, assim, levados a revisitar lendas e narrativas da tradição oral em que as mouras eram encantadas e encerradas em covas escuras e profundas; mitos e referências da herança celta; rituais da tradição pagã que ora se confundem ora se fundem em celebrações cristãs; narrativas de personagens históricas e heroínas anónimas.

Isabel caminha, lado a lado com todas estas mulheres, num trilho de acesso dificultoso, repleto de descidas e subidas, decisões e hesitações, avanços e retrocessos.
O plano de Isabel é ser livre, livre como só é possível sê-lo, livre na nossa consciência, livre ainda que vivendo escondida e rejeitada por todos.
É bem possível que, no final da história, não nos identifiquemos com as decisões de Isabel, mas é imperioso reconhecer que o seu plano é, ainda hoje, em tantos lugares do mundo, um plano audacioso e tantas vezes inalcançável .

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