Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

Ana Mendes, enfermeira, poetisa e escritora revela-nos os seus segredos

ID:N°/ Texto: 4822
Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

Hoje temos como convidada a escritora Ana Mendes, Luso-Angolana, responsável do departamento de esterilisação numa clínica da riviera, no cantão de Vaud, na Suiça, e que nos vai falar um pouco dela, suas origens e da sua paixão pela literatura. Augusto Lopes, correspondente de nosso jornal guiou a entrevista.

Augusto Lopes (AL) _ Ana como cidadã Luso-Angolana e Suiça, consegui captivar um publico suiço através da tua experiência como enfermeira e com os seus livros. Estando nós a atravessar um periodo critico sanitário com o COVID19 e tendo em mente a obrigação de permanecermos em casa, segundo as recomendações da OMS, tenho a dizer que é a ocasião ideal para recomendar ler o teu romance, LES SECRETS DE SANSENSE.

Ana Mendes (AM) _ Efectivamente este é o periodo muito delicado para todos os países e nada melhor do que ler um bom livro, como uma janela para o mundo, já que estamos forçados a protejermo-nos.

(AL) _ Luso-Angolana, que se inspira de casos na Suiça, explica-nos um pouco essas misturas, influências que te  guiam e inspiram, aos nossos leitores.

(AM) _ De avôs transmontano e Alentejano de uma parte e de Kuanhama e Huambo da outra, fez-me evoluir com uma bagagem internacional e muito rica.  Fez-me viajar por países e no meu íntimo também . Fui colecionando pérolas do meu colar, que guardo com carinho. 

(AL) _ A Europa e a África em união, que te ficou de Angola, mesmo vivendo no centro da Europa?

(AM) _ Tudo, as ruas, os piqueniques à beira do rio kuansa, os cheiros da terra ao ser levantada pelas primeiras gotas da chuva, a escola ou a igreja do meu baptismo em Nova Lisboa/Huambo. As águas quentes do alto Ama. As saídas de jipe pelas matas fora, as praias de Luanda e Benguela.

Aquele arco-íris que nos deixou lindas cores no coração como herança, a mim e tantos outros filhos dessas nações entrelaçadas . 

(AL) _ E porquê a Suiça?

(AM)  _ Depois de nos termos refugiado em Lisboa, em 1975, as dificuldades eram reais e instalei-me na Suiça muito jovem onde terminei os estudos e me formei no medical.

(AL) _ Como te surgiu essa vontade de escrever? 

(AM) _ Foi com a maternidade, comecei a inventar contos e eles desenhavam-nos com o olhar inocente de criança.  Imprimia um exemplar unicamente, mas o prazer que é sentir algo e transcrevê-lo, dar-lhe forma através de palavras soltas, fez-me ir mais longe e surgiram estes dois livros para um público mais largo.  

(AL) _ E quanto aos teus livros, como os definirias, como te apropriaste deles, das ideias? Escreves em português e em françês também.

(AM) __ O primeiro relata a história dos meus avós maternos, a origem destas misturas que me habitam.  De avô transmontano missionário e avó princesa do kuanhama. Faz-me perpetuar as minhas raízes angolanas, que retrata as diferenças, a aceitação dos outros. Um livro infanto-juvenil, muito bem ilustrado, lindo.  A rosinha e o cardo selvagem (La petite rose et le chardon sauvage). 

O segundo "Les secrets de Sansense", é um romance policial, baseado em factos reais, que afectam vários países, em especial a Suiça. Trata de adopções ilegalmente assumidas por instituições legais.  

Em primeiro lugar tal deve-se porque há cada vez mais casos de infertilidade e esterilidade, o que originou centros especializados na procriação assistida e em segundo lugar, os casos infrutuosos levam à busca de alternativas, como barrigas de aluguer e ao recurso a redes de adopções clandestinas.

(AL) _ É um assunto delicado, e como percebi levou-te a viajar durante 2 anos, com as pesquisas. Também falas de vários imigrantes oriundos de diferentes países e que vivem por cá . 

(AM) _ Sim, falo deles porque o enorme capital cultural das suas origens, enriquecem o meio onde vivem. Eles constroem pontes entre os países. Ao falar de pizzas ou kebabs, hot-dogs, paelas, pastéis de nata ou moamba, mandioca, de samba, jazz ou merengue, penso neles todos. Em nós todos.

(AL) _ Para terminar, o que é que gostarias de deixar como mensagem aos nossos   leitores ou futuros escritores?

(AM) _ Coloquem todas as ideias em folhas soltas e depois tentem ressentir as emoções que essas frases vos transmitem. Não há más ideias, só ideias, tudo é história, poesia, sentimento.  

 Então deixo aqui o convite da Ana Mendes, para voçês todos e até breve, para mais um encontro literário.

Augusto Lopes
Autor escritor / colaborador / correspondente
Para ver mais textos, por favor clique no nome do autor.

Contactar o Autor via : Webmaster  Perfil: Info

Textos deste autor:

RECOMENDADOS PARA SI

Últimos Tweets

Fogo amigo https://t.co/KnFr3eju8C
Covid-19: Quarentena de equipas inglesas é decisão dos governos - UEFA https://t.co/E7x4v4S9xI
Covid-19: Luxemburgo pede a imigrantes lusófonos que "permaneçam vigilantes" https://t.co/H7rR0jdlKD
Follow Jornal das Comunidades on Twitter