PEAUX REBELLES

ID:N°/ Texto: 4380
Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

Através de técnicas pessoais em perpétua evolução, Sónia Aniceto cultiva uma linguagem plástica poética e singular.

Na sua obra recente, a artista deixa-se guiar pelo prazer da experimentação.

À constante busca do diálogo entre pintura e “bordado”, associa-se um novo suporte :  "drop paper". Um papel filandroso que aceita de bom grado as cicatrizes e tensões produzidas pelo ponto livre. Estrato após estrato, o fio transforma o papel em tecido. Mais orgânico e flexível, este novo material abre o caminho à tridimensionalidade. A agulha transforma-se em tear, criando  novas "peles" que se rebelam e libertam do suporte.

Estas obras sobre papel têm vida própria: o ponto livre da máquina molda curvas e dobras seguindo um ritmo orquestrado pela artista.

O desenho adapta-se e amplifica-se graças às intervenções bordadas. De quando em quando discreto, quase esquivo.  Por vezes omnipresente, o ponto da máquina cobre o papel de gesticulações furiosas e de nós caprichosos que completam o desenho. Em ambos os casos, a ilusão da realidade é reforçada pela dimensão táctil. Pigmentos, grafite e óleo se entrelaçam para melhor acomodar os sussurros da máquina.

A delicadeza do desenho, a resiliência do papel, a transparência, a espessura, a flexibilidade e as tensões constroem um universo íntimo, aliando força e fragilidade.

Animada pelas temáticas do corpo,  da infância, do lugar, da memória e do desenraizamento, a obra de Sónia Aniceto explora o território invisível das emoções. Corpo e paisagem são as bases duma linguagem alegórica onde se cruzam as noções de privado e de coletivo. As suas obras convocam a problemática da questionada através da tensão entre desejo e repulsa, entre fascinação e indiferença. Deste alvoroço de emoções contraditórias, surge uma “imagem” repleta de referências à História da Arte, ao Corpo, ao Lugar e à Infância.

O corpo, fragmentado e constrangido, veste-se e despe-se, brinca consigo mesmo e desafia o seu próprio receptáculo. As paisagens deixam-se domesticar por grades e estruturas até a imobilidade. Face à inércia, o fio une o absoluto ao fragmento acompanhando assim o deslocamento dos corpos.

E a imagem recria o passado ...

Tony Da Silva
Director: luso.eu e operador de camera na CBN News / Jornalismo
Para ver mais textos, por favor clique no nome do autor.

Entre em contacto :  Tony da Silva Perfil: Info

Textos deste autor:

RECOMENDADOS PARA SI