Diretora do CERN vence Prémio Europeu Helena Vaz da Silva

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(Lusa) - Fabiola Gianotti, cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada diretora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), ganhou o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para Divulgação do Património Cultural 2019.

Segundo uma nota do Centro Nacional de Cultura, este reconhecimento presta homenagem à contribuição de Fabiola Gianotti para a divulgação da cultura científica de uma "forma atrativa e acessível".

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património representada em Portugal pelo CNC, e com o Clube Português de Imprensa.

Este ano, o júri do prémio - composto por especialistas independentes nos campos da cultura, património e comunicação de vários países europeus - decidiu também atribuir menções especiais a duas outras personalidades europeias que se distinguem no campo da cultura: o diretor do Royal Danish Theatre Kasper Holten, pelos seus "incansáveis esforços para promover a compreensão do património cultural", e o italiano Angelo Castiglioni, que "dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas".

A cerimónia de atribuição do prémio está marcada para 25 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Fabiola Gianotti já se declarou "muito honrada por receber o prestigiado Prémio Europeu Helena Vaz da Silva", tendo acrescentando: "O conhecimento científico pertence a todos. Como cientistas, devemos fazer todos os esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos”.

A premiada disse ainda que, “ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo”.

O comunicado aponta Fabiola Gianotti como uma das mais conceituadas físicas mundiais e com um papel fundamental na disseminação da cultura científica na Europa e no resto do mundo.

"A sua capacidade de transmitir de forma original, acessível e eficaz informações de natureza científica - muitas vezes difíceis de comunicar ao público em geral - bem como a sua dedicação à ligação entre a ciência e as artes, foram especialmente apreciadas", justificou o Júri do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva.

Nascida em 1960, Gianotti é filha de um geólogo do Piemonte e de uma siciliana que era apaixonada por música e arte. Foi o seu interesse por questões essenciais que a levou a escolher o curso de Física, depois dos seus estudos clássicos e de ter concluído o curso de piano no Conservatório de Milão, indica uma nota biográfica.

"Gianotti inicialmente decidiu estudar Filosofia na universidade porque lhe permitia equacionar as grandes perguntas, mas acabou por escolher mudar para o curso de Física, quando percebeu que este lhe daria mais hipóteses de encontrar as respostas por que procurava. Essa combinação de influências artísticas e científicas deixou-a com três paixões na vida: música, física e culinária", adianta a nota.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural recorda a jornalista portuguesa, escritora, ativista cultural e política (1939- 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

O prémio é atribuído anualmente a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva em 2013, o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk foi distinguido em 2014, o músico catalão Jordi Savall venceu em 2015, o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram ex-aequo em 2016, em 2017 o prémio foi para o cineasta Wim Wenders e em 2018 a vencedora foi a historiadora inglesa Bettany Hughes.


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