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Secretária de Estado diz que Portugal precisa de conhecer melhor as suas comunidades





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 (Lusa) - A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, defendeu hoje na África do Sul que Portugal precisa de conhecer melhor as suas comunidades no estrangeiro.

"Temos que nos juntar mais e trabalhar juntos", adiantou a governante, num encontro com conselheiros das Comunidades Portuguesas e líderes da comunidade de Joanesburgo, no final do primeiro dia da visita de trabalho que realiza à África do Sul.

"Nós somos todos irmãos, é preciso adaptarmo-nos à mudança, construir em conjunto, dialogar, ser criativo e ter esperança no futuro. E também ter agora, da minha parte, a certeza que eu vou acompanhar muito de perto a comunidade e que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que sintam que não estamos ausentes, que estamos presentes e em conjunto a afirmar Portugal", declarou a secretária de Estado das Comunidades.

Entre as preocupações apresentadas hoje à governante portuguesa no Consulado-Geral de Portugal, em Joanesburgo, destacam-se a insegurança no país, as equivalências académicas e profissionais para lusodescendentes em Portugal, a ausência de ligações aéreas diretas da companhia área da bandeira portuguesa TAP, o acesso à reforma para antigos combatentes da guerra do ultramar, além das medidas de apoio ao investimento da diáspora e incentivos à promoção da cultura portuguesa para jovens lusodescendentes na África do Sul.

"A idade começa a pesar, neste período também tivemos muitos Governos em Portugal, uns mais à direita e outros mais esquerda, mas nós estivemos aqui toda a vida, inclusivamente as nossas autoridades estão cá quatro anos, mas nós cá continuamos a defender o nome do país e não só. Somos empresários e também ajudamos os nossos vizinhos moçambicanos e angolanos com quem trabalhamos diariamente", frisou José Contente, dirigente da União Portuguesa de Joanesburgo.

"Se não nos apoiarem, nós vamos eventualmente ter que regressar a Portugal como fizemos quando regressámos de Moçambique com 50 rands (2,73 euros) no bolso. Eu que fui militar e que cumpri em Cabo Delgado, nos [anos de] 1970 em que fui lá oficial do exército, continuo a não ter direito à minha reforma em Portugal, apesar de ter cinco anos de serviço militar", sublinhou.

Já para José Nascimento, conselheiro da Diáspora Madeirense, as autoridades portuguesas e a comunidade lusa deveriam "fazer algo conjuntamente" para resolver o problema da pobreza "que afeta setores da comunidade lusa no país", salientando que a integração de profissionais e estudantes lusodescendentes em Portugal "deveria também ser facilitada".

"É mais fácil obter o reconhecimento de uma universidade de Toronto ou de Oxford do que uma universidade em Portugal", adiantou José Nascimento, criticando ainda as ordens profissionais portuguesas "por andarem na desordem".

"Temos hospitais sem anestesistas e no entanto os profissionais da Saúde portugueses na Venezuela não são reconhecidos em Portugal", frisou.

O conselheiro madeirense questionou também porque é que a TAP não realiza voos diretos para a África do Sul "sendo o Governo acionista maioritário".

Estima-se que residam na África do Sul cerca de 450 mil portugueses e lusodescendentes, a maioria residente em Joanesburgo, capital económica do país.

A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas realiza até domingo a sua primeira visita à África do Sul, para avaliar as dificuldades da comunidade portuguesa local residente em Pretória, Joanesburgo e Cidade do Cabo.

Berta Nunes, que amanhã visita três instituições de apoio social em Joanesburgo, é acompanhada na deslocação pela diretora de Ação Social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Maria da Luz Cabral.

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