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Covid-19: Mais de 100 portugueses na Austrália pedem ao Governo voo para regressar



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Mais de 100 portugueses na Austrália, a maioria a trabalhar no país até à crise da covid-19, apelam ao Governo para que os ajude a regressar a Portugal, já que os serviços consulares os remetem para voos comerciais.

(Lusa) - Mais de 100 portugueses na Austrália, a maioria a trabalhar no país até à crise da covid-19, apelam ao Governo para que os ajude a regressar a Portugal, já que os serviços consulares os remetem para voos comerciais.

O grupo, que inclui alguns turistas portugueses, encontrou-se através da rede social Facebook e agora buscam, por via da plataforma Whatsapp, encontrar uma solução conjunta para o seu problema.

O “objetivo comum”, como se chamam na rede de contacto, é regressarem a Portugal, porque os hotéis, restaurantes e empresas onde trabalhavam fecharam, e sem salário é difícil viverem num país onde "as rendas e alimentação são muito caras", como disse Diogo Sobral.

O português chegou à Austrália em fevereiro e arranjou emprego três dias depois, mas o hotel onde trabalhava , no centro da cidade de Sidney, fechou, depois do Governo australiano ter decretado o encerramento daqueles estabelecimentos, para fazer face à propagação do novo coronavírus. 

"O salário que ganhamos dá para viver bem aqui, mesmo pagando as rendas elevadas e a alimentação muito cara. Mas sem salário não conseguimos suportar o custo de vida aqui", contou.

Diogo Sobral não queria regressar a Portugal, mas decidiu voltar ao seu país quando o Governo prolongou para seis meses o encerramento dos hotéis.

“A alternativa de voo mais segura é pelo Qatar, mas os bilhetes estão a preços astronómicos. Eu creio que se tratam de bilhetes em classe executiva. Não quero acreditar que estão a abusar da situação, pedindo milhares de dólares por uma passagem", frisou à Lusa por telefone Diogo Sobral.

Mesmo assim, o português referiu que nada é garantido, porque os voos que num dia existem são cancelados.

“E a resposta da embaixada aos emails que todas as pessoas do grupo enviaram, é que, enquanto houver voos comerciais, teremos de tentar essas hipóteses", lamentou.

Uma resposta confirmada por Francisco Boto, há dois anos a trabalhar e a estudar na Austrália, em declarações à Lusa por telefone.

"Eu até já comprei outras passagens, como outras pessoas do grupo o fizeram e agora o voo vai ser cancelado e eu vou ficar sem 600 euros e sem voo novamente", explicou.

Francisco também disse estar disposto a pagar a sua passagem aérea e acrescentou: “ "Só pedimos é que o Governo nos garanta uma viagem de forma organizada que nos assegure a chegada a Portugal".

A Lusa contactou a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, mas ainda não obteve resposta.   

Hoje, a TAP anunciou que vai a Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Angola para transportar mais de mil portugueses que querem regressar a Portugal.

"A TAP, em estreita articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, conseguiu garantir todas as condições, operacionais e de segurança, para poder realizar um conjunto de voos extra, que têm por objetivo trazer de volta a casa e às suas famílias mais de mil portugueses que se encontram em Cabo Verde, Guiné Bissau, S. Tomé e Príncipe e Angola", afirmou a transportadora em comunicado.

Assim, já hoje vai realizar dois voos de ida e volta para Cabo Verde, um para a Praia e outro para o Sal, e um voo para Luanda, e quarta feira tem previstos mais dois voos, para Bissau e S. Tomé.

Na segunda-feira, a transportadora aérea, fez um último voo para Moçambique, antes da entrada em vigor das restrições sanitárias e aeroportuárias naquele país.

"Estes voos estão a realizar-se em condições operacionais atípicas, motivadas pelas diversas restrições impostas por governos e autoridades, mas ultrapassadas pela TAP, acautelando todos os requisitos legais e regulamentares no que respeita a segurança dos voos, tripulações e passageiros", adianta a nota da companhia aérea.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 386 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 17.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6.077 mortos em 63.927 casos. Segundo as autoridades italianas, 7.024 dos infetados já estão curados.

A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, onde a epidemia surgiu no final de dezembro, conta com mais de 81.000 casos, tendo sido registados 3.277 mortes.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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