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VI FESTIVAL DE FOLCLORE No Cruzeiro, a Festa do Namoro

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Foi a VI edição de um bom Festival de Folclore, ocasião maior para assinalar também, seis anos de vida e actividade continuada! Um aniversário celebrado com muito orgulho, num verdadeiro hino às tradições, aos usos e costumes. De facto, O Cancioneiro do Alto Minho – Luxemburgo já nos habituou à vivência de notáveis momentos de lazer, de convívio e de festa. Bem necessários em meio imigrante, onde tantas vezes sentimos e vivemos o adverso à nossa identidade, ao que somos e temos. Por isso, estes encontros tornam-se ainda mais desejados, agradáveis, atraentes e sobretudo oportunos.

O Cruzeiro colocado no centro do estrado dava o mote para a prazenteira festa, do Folclore, do Traje e da Etnografia. Induzidos por um espírito de cooperação, de entrega e muito amor à causa realizaram, um trabalho fantástico, com o namoro como pano de fundo! Motivo de acrescido prazer, por ter reunido seis Grupos vindos de vários quadrantes; Suíça, França e Luxemburgo, representativos da diversidade do nosso folclore nacional. As deslocações e actuação continuam a ser de carácter recíproco e de intercâmbio, habitual neste género de iniciativas e cooperação; o amor à causa supera tanta coisa, porque o mais importante é estar, com e para as pessoas. Proporcionando momentos únicos, saboreando daquilo que temos mais genuíno!

Umberto da Silva, um dos fundadores, actual presidente e ensaiador, não escondia a sua satisfação. Também por ter criado à sua volta uma fantástica equipa de trabalho; o sucesso foi de todos e cada um, desde a mais alta responsabilidade à mais pequena tarefa de rotina… A emoção cresceu ainda mais quando, em uníssono se cantou o "Rio Lima és Encanto", num comovente louvor a tudo o que ali se viveu, deslumbrante tarde de namoro com a tradição, a gastronomia, a estima e amizade! Sem esquecer a destreza e o bom servir, da equipa feminina na cozinha, sala e bar! Todos consagrados numa grande iniciativa, saudável e divertida tanto, que o Cancioneiro apregoa, defende e promove: "Que a nossa cultura, as nossas tradições e o folclore estejam presentes nas vossas vidas". 

Tudo isto nos leva a expressar uma preocupação que também é desejo: que pena estes Ranchos e Festivais não serem devidamente apoiados pelas nossas autoridades da área Cultural, por via de mecanismos ligados à secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas! Com pequenos incentivos, comparticipação e arrimo nos diversos encargos e responsabilidade. Alguém imagina o investimento feito, para a criação e a manutenção destes grupos, de uma excelente qualidade? Alguém pensou nos seus encargos financeiros, para além de outras ajudas pontuais, indispensáveis para assegurar, com êxito e razão de ser, os objectivos a que se propõem?  Claro que são fantásticos os festivais de folclore; porque reúnem e fazem convergir para os valores da tradição; porque transmitem alegria verdadeira; porque proporcionam empregar saudavelmente os tempos livres; porque são o fruto da nossa identidade comum... Todas essas e outras razões merecem, muito mais que os calorosos aplausos, que atestam a preferência, o trabalho e a dedicação, de toda essa gente. Seria conforme, justo e de bom grado que, a tudo isso, se juntasse o reconhecimento traduzido num suporte financeiro adequado, por pequeno que fosse. Primorosa ajuda a quem merece, também pelo que desenvolve e representa, toda essa envolvente cultural, na Diáspora portuguesa. Aqui fica a dica, também direccionada para os responsáveis culturais e associativos, que devem, por sua vez procurar esse género de cooperação, junto das diversas instâncias, que possam responder positivamente a um qualquer pedido, devidamente fundamentado.

O VI Festival de Folclore Português, marcado por um grande sucesso terminava como tinha começado; em verdadeira apoteose! Os parabéns repartem-se por todos e são extensivos aos Grupos convidados; ao magnifico público presente, ao fotógrafo num trabalho de muita qualidade, ao Cantinho do Folclore, na sua cuidada retransmissão em directo, aos que trabalharam anonimamente. Ninguém ficou de fora na realização de mais um festival. Que fica na vida e na história da gente!

António Fernandes
Colaborador
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