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Zombies digitais





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Hoje pensei em usar as redes sociais para “lavar” numa data de pessoas e situações, defendendo de forma agressiva, apaixonada e crente todas as minhas opiniões não fundamentadas. Na verdade, se fosse da minha intenção ter imensos “gostos” esta seria a melhor estratégia. É que a malta gosta é de escândalo! Vivemos tempos de fácil acesso à informação, e igualmente – ou até mais – à desinformação. Noutros textos por mim escritos para este blog já desenvolvi a importância que atribuo ao desenvolvimento do pensamento crítico, por isso, desta vez, outra consequência da mesma problemática: a “zombificação”.

As plataformas digitais de redes sociais estão programadas para nos tornar reféns da sua utilização. Cada dispositivo é capaz de “estudar” individualmente aquilo que nos interessa nesse momento e utiliza essa informação para nos mostrar esse tipo de conteúdos e nos manter na utilização “cega” dessa aplicação1. É caso para se dizer: “Se não pagas para ter, significa que o produto és tu!”. Que seja! Não me importo de continuar a receber publicidade de eletrodomésticos depois da Siri ter espiado uma conversa entre mim e a minha esposa, nem de continuar de forma educada a dizer aos comerciais da NOS/MEO e outras empresas que não estou interessado nos seus serviços.

O que me preocupa é mais grave que a utilização destes meios para fins publicitários. Esta droga viciante das redes sociais está a moldar o pensamento da sociedade e sobretudo a “adormecer” muitos indivíduos tornando-os coniventes com o agente manipulador. Diria mesmo que enquanto andamos entretidos com a escândalos da casa dos segredos ou o lance de futebol mal ajuizado pelo árbitro, continua-se a discutir no parlamento algumas questões determinantes para as nossas vidas, continuam-se a matar inocentes numa invasão a um país soberano, a aumentar a probabilidade de catástrofes naturais devido ao aquecimento global, a assistir ao fortalecimento da extrema direita na Europa, e muito mais.

Lembro-me que quando começou a pandemia, não tardou a aparecer “especialistas” nesta área, supostos entendidos em virologia a postar estratégias e teorias da conspiração sem factos que sustentassem as suas posições. Mas estes asnos tinham mais audiência do que os “chatos” cientistas que nos apontavam um cenário realista e sem certezas absolutas. Depois, os experts da pandemia, estes mesmos, tornaram-se conhecedores da economia mundial e começaram a prever as consequências da mesma. Mas eis que rebenta uma nova problemática com mais tendência para o escândalo: infelizmente um homem com um tom de pele diferente da maioria dos seus compatriotas foi morto por um polícia. Começam então as visões cegas contra a autoridade policial e a temática do racismo novamente como tema central. Mas os experts em tudologia não ficaram por aqui, pois, hoje mudaram o seu foco para a política internacional e comentam a invasão da Rússia à Ucrânia, dando umas passagens pelos combustíveis fósseis e ainda pelas táticas que os treinadores dos três grandes do futebol português usam. Se o leitor tiver interesse neste tipo de cegueira e presunção aconselho-o a passar pelos grupos de Facebook que fomentam este tipo de liberdade de expressão. Mas se tiver vida, não perca muito tempo lá.

Ainda assim, este ecossistema da “posta de pescada” não é exclusivo de donos da verdade. Para mim, os piores são os crentes que os acompanham – e são muitos mais do que aparentam – que vêm isto e não questionam ou põem à prova as suas posições. Pior! Aceitam o que leem, e replicam nas conversas de café contribuindo para a cultura da TRETA! Verdadeiros zombies digitais que alimentam os egos dos auto proclamados especialistas com liberdade de expressão para tal, e entretêm-se nas suas vidas rotineiras a replicar posições que leram, e muitas vezes antagónicas umas às outras. Por isso mudam de opinião de hora em hora, mas defendem cada uma delas a cada hora (mesmo que sejam diferentes) com a bitola de que: “é a minha opinião, por isso respeita-a” – como se opinião e verdade fosse sinónimos.

Andamos nisto. A raia miúda vai combatendo para ver quem tem a crença mais verdadeira – pensam eles pois não sabem distinguir uma crença de um facto – enquanto os poderosos vão fazendo os seus negócios e tomando as suas decisões sem ninguém os questionar ou confrontar com as consequências disso. E como exemplo disso deixo no ar, para que o caro leitor possa se interessar e procurar essa informação sobre alguns temas: pior inflação dos últimos 30 anos, possível favorecimento da ministra da Coesão à empresa de um familiar, crimes de guerra na Ucrânia ao nível da segunda guerra mundial, promessas e posições políticas que contrastam com as decisões atuais, e muito mais.

Andam a entreter o Zé Povinho com migalhas tornando-o um zombie digital. Enquanto isso fazem o que querem em proveito próprio. Se calhar, sempre foi assim. Mas porque não sonhar com uma melhoria no futuro, ainda que demore e seja ligeira?

1- “O Dilema das Redes Sociais” - Netflix

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Afonso Franco
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