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QUANDO OS FILHOS RECEBEM A MELHOR HERANÇA





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6 minutos de leitura

O futuro na educação dos filhos depende fortemente da condição financeira, mas também da formação dos pais

A melhor herança que poderei deixar aos meus filhos é o afeto e a possibilidade de acederem ao ensino superior.

No seguimento do estudo publicado pelo Banco de Portugal sobre a transmissão entre gerações da educação em Portugal prova-se que a desigualdade económica e social e a pobreza no século XXI dependem fortemente da educação.

Significa também que a educação é a forma mais aproximada para ser bem-sucedido, mesmo que o elevador social esteja avariado.

De acordo com um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, “Faces da pobreza em Portugal”,demonstrou que grande parte dos indivíduos em situação de pobreza cresceu num contexto mais ou menos continuado de privação, o que condicionou, à partida, as suas oportunidades de vida, nomeadamente contribuindo para antecipar a sua saída da escola e a entrada precoce no mercado de trabalho, assim ingressando em empregos pouco qualificados.

É aqui que me detenho, pois, o meu filho com 17 anos, prestes a entrar para o ensino superior, pondera suspender esse desafio, para começar a trabalhar. Claro que as ofertas de emprego para quem tem 0 12.º ano de escolaridade são mais limitadas, bem como o salário oferecido.

Na prática iria sacrificar a sua formação académica, para começar a ganhar o seu salário e mais tarde conquistar a sua independência. A história tem tendência a repetir-se. Eu comecei a trabalhar, após ter ingressado no ensino superior e poderia muito bem ter congelado a matrícula, pois deparei-me com imprevistos que terão condicionado a continuidade dos meus estudos. A morte prematura do meu pai foi determinante na candidatura a um posto de trabalho, pois também ele, sem estudos académicos, entendia ser melhor ingressar no mundo do trabalho para alcançar a minha independência financia e prosseguir os estudos em horário pós-laboral. Assim fiz, mas as coisas nem sempre correm como previsto. Trabalhava até tarde e chegava às aulas extremamente cansado. Por vezes assistia às aulas de pé, pois as salas estavam lotadas. Nunca perdi a vontade em concluir a licenciatura, apesar de vários interregnos. Hoje, entendo que adquiri ferramentas e competências que não estariam ao meu alcance senão estivesse estudado. Não referi “canudo” porque esse é irrelevante no mundo atual. Que importa a licenciatura se não souber aplicar os conhecimentos?

Tento passar esta mensagem aos meus filhos, pois é fundamental entender o mundo que nos rodeia e saber como poderemos dar o contributo para um mundo melhor.

Nas últimas décadas, as pessoas tiveram acesso a maior nível de qualificações. Por outro lado, é importante saber até que ponto são as qualificações dos pais importantes para a obtenção da educação dos filhos.

Os meus pais não têm formação académica, comum a muitos outros da sua geração, mas sabiam que a educação seria importante para mim e para os meus irmãos. Contundo isso parecia não chegar para nos fazer impulsionar nesse sentido. É esta barreira que é importante ultrapassar se a condição financeira do agregado o permitir, claro. Cerca de 73% dos alunos cujos progenitores tinham o ensino superior também completaram o ensino superior.

E também é esse fator que determina o grau de envolvimento de Portugal e a sua pobreza.

Indivíduos que vivem numa situação financeira má e os seus pais têm uma educação até ao 9.º ano, então só um reduzido número é que consegue chegar ao ensino superior.

Portugal é um dos países da área do euro em que o impacto da situação financeira sobre os percursos escolares é mais acentuado, conforme estudo do Banco de Portugal.

Se a vontade dos pais é deixar um mundo melhor para os filhos, incluindo a sua educação, a pobreza também é fonte de contágio, também se transmite de geração para geração. Muitas das famílias vivem num contexto de pobreza há várias gerações.

Devido à baixa mobilidade social em Portugal, de acordo com estudo da OCDE, verifica-se que uma família pobre pode levar até cinco gerações para atingir um nível de vida médio. O elevador social funciona no sentido ascendente com muitas limitações, as quais se agravaram com o surgimento da pandemia. Nomeadamente no afastamento das crianças e dos jovens do sistema de ensino por largos períodos de tempo em 2020 e 2021, o que irá produzir efeitos muito significativos na igualdade de oportunidades que mais tarde ou mais cedo se traduzirão num agravamento das desigualdades económicas e num potencial acréscimo de fatores de pobreza e de exclusão social.

Volta à questão do meu filho querer abandonar os estudos, ainda que temporariamente, para começar a trabalhar.

Será que ele sabe que é possível arranjar trabalho com salário fixo e mesmo assim ser pobre?

Os salários são baixos e têm tendência a diminuir, provocando o aumento da desigualdade salarial, a generalização do trabalho precário que contribuem para a manutenção das condições de pobreza.

Mas a relação entre a participação no mercado de trabalho e a situação de pobreza não depende exclusivamente dos níveis salariais auferidos.

Também depende em muito da dimensão e da composição do agregado familiar em que o trabalhador está inserido.

Por exemplo, e tomando como referência o ano de 2020, um trabalhador que vivesse sozinho e que ganhasse o salário mínimo estava acima do limiar de pobreza. Mas se considerar um casal com dois filhos em que somente um dos elementos do casal aufere o salário mínimo, então esse rendimento do trabalho fica cerca de 30% abaixo do limiar de pobreza pelo que essa família, e esse trabalhador, são pobres.

Mas Portugal é mais desigual que o resto da Europa?

O efeito da pandemia veio agravar os níveis de desigualdade em Portugal se comparados com o resto da Europa.

Portanto, para além de todos estes imprevistos, como o caso da pandemia, há um fator que pode ser intencional e controlado, dependendo da situação financeira do agregado familiar: a educação.

Talvez não seja difícil entender que existe uma relação próxima entre níveis de qualificação e maiores níveis de rendimento e menor incidência da pobreza, conforme anunciado na Palestra de Carlos Farinha Rodrigues, professor de Economia no ISEG.

Prosseguir com os estudos é dizer não à precariedade no trabalho.

Se a baixa escolaridade dos pais condiciona o futuro dos filhos, também há estudantes com pais com formação no ensino superior que parecem querer desperdiçar essa oportunidade de aumentar o conhecimento.

Mas isso é opção de cada um.

Ainda assim, a maioria opta pelo acesso ao ensino superior e Portugal regista uma transição educacional acentuada, com um forte aumento das qualificações.

É com estes indivíduos que todos aqueles que não puderam ou não optaram pelo ensino superior que vão ter que se relacionar no mundo do trabalho.

Uns estão lá para ganhar, outros nem por isso.

Sabendo que o risco de pobreza aumentou para 18,4% em 2020 – 2021, de acordo com o mesmo estudo de BdP, sabendo que existem barreiras aqui descritas ao acesso superior, sabendo que os indivíduos com formação superior, poderão aspirar as melhores condições de vida, é fácil entender a escolha apropriada, ainda que dependa da situação financeira dos pais.

Quem escolheu um dia sair de Portugal para ir à procura de melhor vida, saberá entender estas palavras. Nas últimas décadas, muitos indivíduos com formação superior também partiram e até por sugestão de alguns governantes.

Conforme noticiado pelo jornal Luso.eu e ao abrigo do programa “Estudar e Investigar em Portugal”, foi criado em 2020 um contingente especial para emigrantes, familiares que com eles residam e, atualmente, para os lusodescendentes com uma reserva de 7% da totalidade das vagas na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior português. Assim, foram dedicadas 3.599 vagas exclusivamente para aqueles candidatos em todo o sistema de ensino superior público português, que abrangeu 107 instituições e mais de 5.000 cursos, em todas as universidades e institutos politécnicos. Este ano desconhece-se semelhante iniciativa.

Para finalizar.

Sei que o que poderei deixar de melhor aos meus filhos é o afeto que tenho por eles e a possibilidade de frequentarem o ensino superior. Isso também passa pela demonstração contínua dos benefícios em adquirir conhecimento e competências para a vida. Essa será a melhor herança que eles poderão receber.

12-08-2022

João Pires

O autor produziu este artigo, da sua responsabilidade, para os leitores do jornal online LUSO.EU

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Joao Pires
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