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Caro leitor, se abriu este link na esperança de encontrar um conteúdo brejeiro criticando alguma coisa, peço desde já desculpas por defraudar as suas expectativas.

Admito que utilizei uma técnica rudimentar de cativar a atenção, mas sei que os títulos sensacionalistas, e se possível “malcriados”, têm por hábito conquistar mais interesse.

Venho sim homenagear um evento decorrido no dia 6 de Novembro de 2021, no Nini Design Center, que permitiu uma partilha de opiniões e experiências através de conversas improváveis. O “Madeira 7 Talks” foi realmente um momento de salutar inspiração para quem teve o prazer de estar presente ou acompanhar on-line. Pois é! Uma pequena ilha no meio do atlântico com tanto valor humano.

Este ano tive a honra de ser convidado como orador numa das conversas, sendo que só no momento tomei conhecimento que partilharia o palco com a talentosa cantora e extraordinária mulher, Vânia Fernandes. Realmente nunca nos havíamos cruzado pessoalmente para conversar, mas instigados pelo irreverente e belíssimo anfitrião António Barroso Cruz, a conversa fluiu e trocámos várias ideias e experiências num momento que me enriqueceu imenso. E é precisamente sobre isto que hoje escrevo este texto: a importância de ouvirmos outras opiniões, pontos de vista e experiências de vida. Em cada conversa absorvi informações que trago comigo para futuras reflexões e é este processo que me parece o motor da evolução: ouvir, pensar, refletir e decidir (mudar ou manter). É isto que me faz sentir vivo!

Todo o painel de oradores era constituído por seres humanos que são exemplos de resiliência, e que têm construído um trabalho de referência em diferentes áreas como a arte, a restauração, a política, o exercício, a educação, a medicina. Foram também incluídos exemplos de vida que abordaram temas como a transexualidade, o racismo e a discriminação social. Ou seja, a riqueza intelectual que este evento proporcionou foi esmagadora e creio que todos saíram bem mais completos por estas cinco horas de conversas honestas.

Apraz-me salientar uma das minhas aprendizagens de ontem. Tendo por base estas pessoas que se destacam pelo sucesso, reparei que há uma linha comum e o pensamento era mais ou menos este: “Eu não sabia bem no quê, mas sabia que de alguma forma iria ter sucesso!”. Esta potência de viver é algo que me comove e em que me revejo. Muitas vezes na vida temos que parar, dar uns passos atrás, tentar novamente, mudar de rumo, mas sempre, sempre em movimento. Não há tempo para “mi mi mi’s” e há um legado a construir. Certo ou errado, não sabemos, mas que se faça com a convicção de alcançar um sonho e deixar um legado.

Outra reflexão que faço é que este tipo de eventos são geralmente interessantes a pessoas com algum nível cultural. A sala estava muito bem composta e o evento foi um sucesso, mas gostava de o ver replicado duas vezes ao ano, e que mais pessoas ficassem sem bilhete. Isso demonstraria mais interesse da população em momentos de crescimento e, provavelmente, menos interesse naquilo que tanto criticam os media. É que isto é muito fácil apontar o dedo a terceiros, mas “gastar” um sábado para aprender, em vez de alimentar o ócio, dá trabalho, não gera tantos “likes” e faz-nos confrontar com as nossas próprias fragilidades e egos.

Uma das coisas que referi na minha intervenção é que “estudo para falhar menos”. Falhar é frequente, mas não precisa de ser aceite como normal. Falhar é humano, mas repetir o erro é burrice. A solução é aprender e refletir sobre si mesmo – a vida dos outros é apenas isso, deles. Boa leitura, boa conversa e bom podcast, por exemplo, são tudo formas de abrirmos as janelas da nossa mente e de deixar entrar informação para refletirmos e procurarmos a viver melhor – seja lá isso o que for...

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Afonso Franco
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