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O final do mandato de Trump no início de 2021 teve um final trágico, com um ataque ao capitólio que chocou o mundo inteiro e, infelizmente, vitimou 5 pessoas.

Foi um mandato sobretudo marcado por terminar unilateralmente variados acordos internacionais como o acordo nuclear com o Irão, que prejudicou empresas europeias (A total perdeu um contrato de 4.1 mil milhões de euros), ou o acordo de Paris impactando o futuro de gerações vindouras, além da saída da Organização Mundial de Saúde e da UNESCO, etc... E por outro lado, em criar parcerias ou entendimentos inesperados com a Rússia de Putin ou a Coreia do Norte de Kim Jong-un, além de um escalar de conflito com o seu atual maior rival económico a República Popular da China.

Atualmente com o Presidente Biden no cargo máximo, apesar dos EUA terem voltado ao acordo de Paris, à OMS e ao Conselho dos Direitos Humanos na ONU, a verdade é que os EUA não mudaram muito a sua política externa, mantendo sempre os seus interesses em primeiro lugar e não aparentam mostrar sinais de redução nas tensões com a China, além de continuarem a aumentar desconfiança na sua relação com antigos aliados.

Desde que Biden tomou posse 3 assuntos particularmente notáveis tiveram lugar e que levaram a reações marcantes por parte da União Europeia :

- Em final de fevereiro a Presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, criticou o facto dos EUA terem colocado em funcionamento sistemas para bloquearem a exportação de vacinas.

- Saída apressada e caótica do Afeganistão, assim como a falta de aconselhamento e apoio a países aliados, além dos afegãos que ajudaram e colaboraram com as nações europeias.

- O acordo trilateral denominado por AUKUS que deixou a França e os seus aliados europeus indignados pela maneira como foram tratados.

Relativamente ao último evento, e mais recente, as reações têm sido diversas. Desde o ministro dos negócios estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, a apelidar como uma verdadeira «facada nas costas», ao ministro Francês Clement Beaune que o Reino Unido era um «vassalo» dos norte-americanos, a variados diplomatas que se revelaram receosos com um afastamento, ainda maior, entre Paris e Washignton.

Na União Europeia a maioria dos países, Portugal incluído, mostraram-se solidários com a República Francesa e Thierry Breton, Comissário europeu para o mercado interno, já avisou que «Há claramente na UE o sentimento crescente que algo está danificado nas relações transatlânticas.», referindo que «é verdade que ouvimos algumas vozes na UE que acham que provavelmente após o que se passou nos últimos dois meses, seria uma boa ideia reavaliar tudo o que fazemos, e a nossa parceria.»

Parece que a crise não é exclusiva a questões económicas - o contrato dos submarinos envolvia cerca de 31 mil milhões de euros - como alguns analistas possam crer, pois Breton afirmou que « é bastante claro o que podemos e poderemos levar aos EUA, todavia nem sempre é claro o que os EUA nos podem trazer.»
Como se pode reatar uma relação quando a França acusa os EUA de traição, Austrália de duplicidade e Reino Unido de oportunismo ? A Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, já afirmou que não se pode continuar com “business as usual”, «pois um dos Estado-Membros foi tratado duma maneira inaceitável.»

Como irá a União Europeia reagir tendo em conta que ainda há questões essenciais a tratar relativamente ao Brexit, nomeadamente à Irlanda do Norte, além da política de migrantes com a crise afegã, ou a sua estratégia na região Indo-Pacífico ?
Certo é que o caldo está entornado, pois as regras do jogo parecem ter sido alteradas, já que enquanto é normal tentar obter vantagem em acordos que estão em negociação, é algo totalmente diferente cancelar acordos que foram assinados entre parceiros e países que se consideravam amigos.a

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Bruno Paiva
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