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TERRA MORNA





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Nevaria cá, em toda a parte, se fosse terra de nevar.

Os flocos brancos e gelados cobririam as ruas e as casas, criando uma paisagem mágica e encantadora, se bem que monocromática. As crianças sorririam ao verem a neve cair e correriam para brincar, construindo bonecos de neve e fazendo batalhas de bolas brancas e frias. Os adultos cobrir-se-iam com roupas quentes e aproveitariam o clima para degustar, à lareira, uma chávena de chocolate quente, numa ocasião rara e especial, numa pausa na rotina calma, mas aguerrida, que caracterizaria esta terra, e as pessoas que nela vivessem.

Mas a minha terra não é terra de nevar.

Nesta minha terra tudo é tépido, frouxo, sem energia ou vivacidade, tíbio, remisso. O calor não prevalece, como se o sol não centralizasse as suas energias para aquecer a alma dos habitantes, criando uma atmosfera tranquila e serena que poderia, e deveria, ser reconfortante. Mas essa tepidez transforma-se em indiferença e apatia.

As pessoas parecem estar suspensas entre o passado e o futuro, sem se permitirem viver intensamente o presente. E o presente está cheio de casos, que ninguém vê, por não quererem ou não conseguirem. Os dias passam numa sequência monótona, sem grandes surpresas ou emoções, e quando as há, a indiferença vence. A rotina diária estabelece-se como uma armadilha, aprisionando-as num ciclo que parece não ter fim. O mundo, à nossa volta, move-se, evolui e transforma-se, e o nosso povo permanece mergulhado na sua letargia.

Não se passa nada... Ou antes, nada veem, de nada se apercebem, tudo lhes passa ao lado. Aceitam como boas todas as notícias que lhes entram pelos olhos e ouvidos dentro, sem questionar, submissos. Olhos fixos no horizonte, perdidos em pensamentos e preocupações, e sem força para reagir. A velocidade da vida moderna faz com que as pessoas se desliguem do que está à sua volta, como se estivessem em transe, percorrendo as ruas como se fossem autómatos. Não percebem as pequenas belezas que estão bem diante dos seus olhos, nem se dão conta das oportunidades que surgem no seu caminho.

Até que um dia, já nada poderão fazer, já nada importará, porque estarão presas às ideias e às vontades dos outros. Dos que lhes mentiram. Dos que quiseram que nada vissem e de nada se importassem. A passividade e a inércia cobrarão um preço elevado, e as verdadeiras intenções daqueles que detêm o poder virão à tona. Sentir-se-ão impotentes e sem esperança, perdidos num mundo moldado por outros, pelas suas mentiras e manipulações. A realidade tornar-se-á uma prisão da qual não conseguirão escapar.

Mas não será, então, chegada a altura de nos rebelarmos?

Será que esta inércia pode vir a ser quebrada?

Talvez que este momento da nossa vida em comum seja uma oportunidade para despertar, para sacudir a poeira da apatia e reivindicar as nossas vidas, as nossas vontades e as nossas verdades. Talvez seja esta a hora de enfrentar o desconforto, encarar os problemas e procurar novas soluções.

Rebelar-se não é um acto de violência ou destruição, mas sim de renovação, de procura por uma vida mais autêntica e significativa. É lembrar que somos seres pensantes e capazes de questionar, de criar e de sonhar. É levantar a voz contra a injustiça e contra as mentiras que nos tentam manter na obscuridade. É lutar pela nossa dignidade, pelos nossos direitos e por um futuro melhor.

A insubmissão começa dentro de nós mesmos, quando nos questionamos, quando olhamos para além do óbvio e do superficial. Quando percebemos que cada um de nós tem o poder de fazer a diferença, de tomar atitudes que mudem o rumo dos acontecimentos. Precisamos sair da zona de conforto e enfrentar os desafios, mesmo que a preguiça e o comodismo tentem impedir-nos. Quebrar as correntes da indiferença e da passividade pode ser o primeiro passo para despertar uma energia vibrante e transformadora.

É desejável que esta rebeldia de que falo não seja apenas uma ideia, mas uma acção concreta, um movimento que impulsione esta terra morna a transformar-se numa terra de fervor e entusiasmo. Acontecerá, quando as pessoas se atreverem a procurar saber o que se passa, nas suas costas ou camuflado à vista de toda a gente, e tiverem coragem para se expressar, para lutar por aquilo em que acreditem, para quebrar as amarras que as mantêm reféns de uma vida morna e sem emoção. Que o não acatamento a tudo o que nos impõem e que vá contra a nossa maneira de pensar, de viver, e de ser, se torne uma força poderosa, capaz de romper as barreiras e trazer o despertar há tanto tempo esperado.

A responsabilidade está nas nossas mãos. Está na hora de agir, de nos rebelarmos, de nos incendiarmos com a paixão pela vida e pela liberdade.

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José Fernando Magalhães
Author: José Fernando MagalhãesEmail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
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