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Quando a Natividade se oferece ao renascer





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Não foi esta pintura que vi recentemente no Museu do Convento de Jesus em Setúbal, há pouco recuperado, mas o autor é o mesmo, Pieter Coecke van Aelst, e também o tema da Natividade. A mestria do pintor é evidente, mas o Menino não deixa de se parecer com os meus bonecos de menina quando eu decidia retirar-lhes as vestes. Tem o mesmo ar desamparado e contrasta a sua singeleza com o fausto da roupa dos pais. Não podemos olhar literalmente estas pinturas, há que vê-las à luz da época, da sua arquitectura e outros valores, da escola e do símbolo.

Foi um trabalhador incansável nas várias artes visuais, pintor, arquitecto, escultor, gravurista e escritor, este quinhentista flamengo que teve ligações familiares com outros grandes nomes da pintura, como Pieter Brueghel. Mas da sua biografia, o que de imediato se me destacou foi a morte simultânea dos dois filhos mais novos, possivelmente vítimas de uma epidemia, e o olhar vira-se automaticamente para este Menino nu que os anjos velam, sobre uma mesa despida. Imagem demasiado ambígua e perturbadora. Acreditemos que terá acabado de nascer e se apresenta tal como viveu no ventre da sua mãe. Não o que me ocorreu. Um pintor não poderia enganar-se ou fazer tão grosseira transferência numa imagem da Natividade. Por isso quero dar vida a este menino, ouvi-lo suspirar pelo seio materno e sorrir para o pai. É assim que o vejo. E retoco-o, não com tintas, que não sei, mas com palavras. Envolvamo-lo em panos de veludo macios, coloquemos sob ele almofada de cetim, e os anjos com seu bafo aquecendo-lhe as mãos. A mesa não é mesa, mas o melhor berço do mundo, manjedoura forrada a palhas reflectindo o brilho do sol, digo, do bebé, da vida. Está composto o quadro. Por momentos senti-me fazendo parte da escola de pintura de Pieter Coecke van Aelst. Não sei porquê, ele gostou dos melhoramentos que fiz no Menino, embora nunca um menino necessite de melhoramentos. Mas tratou-se de uma emergência. Regozijemo-nos com a capacidade de criação que nos foi dada, uma forma concedida de consertarmos o mundo.

Caríssimo(a) leitor(a), que esta alegria da criação o(a) visite, o(a) habite, o(a) recrie! Um feliz Natal! Até para o ano! Renovado, e nós com ele, ou ele por causa de nós!

Luso.eu - Jornal das comunidades
Risoleta C. Pinto Pedro
Author: Risoleta C. Pinto PedroEmail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
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