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Não existe amor sozinho





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Nunca percebi o que Luís de Camões dizia ao afirmar que o “amor é fogo que arde sem se ver”. Lembro-me de ser mais nova e achar todo este poema um exagero, uma ‘lamechada’, um lirismo desnecessário e que não correspondia à realidade, ou à vidinha do dia a dia. Mal sabia eu que o Poeta sem um olho estava tão certo... Aliás, li pouca coisa, até hoje, que descreve tão bem o que é este sentimento, que nos engole o peito, como este poema, principalmente nestes versos:

“Amor é uma ferida que dói e não se sente/é um contentamento descontente/é dor que desatina sem doer”. 

Comecei a devorar por estes dias o livro ‘As Quatro Verdades’, de Don Miguel Ruiz, sendo que uma delas diz respeito à palavra, e de como devemos utilizá-la bem, com critério e com consciência. As palavras, diz o autor, são como feitiços que espalhamos uns aos outros na nossa comunicação. Tanto para o bem como para o mal. Conseguimos fazer com que alguém se eleve ou se sinta inferior pela simples escolha de palavras que fazemos, muitos de nós de forma inconsciente.

Andei uns dias a refletir sobre o poder que contém o nosso diálogo, tanto interno como externo. Não era nada de novo para mim, uma amante da Comunicação, ao contrário do poder do amor, algo que vim a descobrir só depois de ter entrado na reta final dos meus 20. 

Tropecei recentemente num pensamento de Nietzsche que dizia que antes de casarmos com alguém apenas uma pergunta importa: Vou querer conversar com esta pessoa até à velhice? De acordo com a visão deste filósofo, tudo numa vida a dois “é transitório, mas a maior parte do tempo é dedicado à conversa”. Lá estão elas, as palavras outra vez, as construtoras da nossa realidade, e em última instância do nosso amor.

Já Milan Kundera na sua deliciosa obra “A Insustentável Leveza do Ser” explica isso mesmo, ao dizer que “o amor começa com uma metáfora (..) ou, por outras palavras, o amor começa no preciso instante em que, com uma das suas palavras, uma mulher se inscreve na nossa memória poética”. 

Numa das minhas caminhadas pelas ruínas interiores do meu ser, veio-me de repente uma certeza absoluta: sim, conversar é amar. É estar com as malas prontas e com cartão de embarque à mão para viajar pela subjetividade da pessoa que se ama. É querer viajar por esse universo. É também deixar que viajem pelo nosso, de forma a atingir aquilo que Vinicius de Moraes tão bem cantava: “a vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida”. 

E não será a conversa a melhor ponte entre duas almas? Só uma boa conversa, sem fim à vista, pode alimentar um amor. E são ainda os silêncios depois dessas viagens ao sabor das palavras, que tanto deixam saudades, que me fazem entender que amamos alguém quando essa pessoa, sem pedir permissão, se instala na nossa memória poética. Vamos para a vidinha, mas como diz Camões o amor traz-nos um “solitário andar por entre a gente” e faz-nos “querer estar preso por vontade”.

Uma música que me tem feito muita companhia, principalmente neste início de um novo desafio profissional, em que estou novamente a trabalhar com as palavras – sim elas nunca me abandonam – diz o seguinte: “amor é força de movimento. Não existe amor parado ou amor sozinho. O amor é uma ponte entre nós e o que a gente escolhe amar. Se o outro é infinito, o indizível, amar o outro é também amar essa dúvida, essa interrogação, aquilo que não se pode tocar de verdade. Amar é intuir o tamanho do universo e querer percorrê-lo”.

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Author: Cláudia Caires SousaEmail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
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