quinta-feira, 26 maio 2022

O Futuro é a Europa

maio 26, 2022 Hits:47 Opinião

Serafim Saudade

maio 22, 2022 Hits:65 Opinião

A Sabedoria e o Escrito

maio 18, 2022 Hits:107 Crónicas

Como se houvesse amanhã

maio 15, 2022 Hits:122 Crónicas

PCP (Partido Cumplicement…

maio 09, 2022 Hits:224 Opinião

Dia Mundial da Língua Po…

maio 05, 2022 Hits:338 Opinião

Vereadores da Coligação…

maio 04, 2022 Hits:1110 Opinião

Um domingo qualquer

maio 01, 2022 Hits:223 Crónicas

Portugal dos pequenitos

maio 01, 2022 Hits:206 Opinião

Flamengos em Portugal





A sua generosidade permite a publicação diária de notícias, artigos de opinião, crónicas e informação do interesse das comunidades portuguesas.


O Museu de Arte Antiga ali às Janelas Verdes (para quem está em Lisboa) completou este mês 137 anos. Não sei se o assunto ou o susto está superado, se vai ser resolvido, mas há bem pouco tempo ainda, éramos alertados para o estado de conservação deficiente das obras ali contidas, por problemas relacionados com o próprio estado de degradação do edifício. Não só deste, mas hoje é deste Palácio de Alvor-Pombal transformado oficialmente em 11 de Maio de 1884 no Museu Nacional de Belas Artes e Arqueologia que nos ocupamos, por causa dos pintores flamengos. O edifício poente, ou anexo, naturalmente conotado com o Estado Novo, até pelo seu estilo, para além da época em que foi construído, foi erigido sobre o Convento das Albertas com que o palácio confinava, deitado abaixo para esse fim.

Mas deixemo-nos de divagações, pois não é sobre isto que hoje quero falar, por isso entremos e dirijamo-nos directamente a uma determinada parte, o primeiro andar, onde podemos encontrar flamengos do século XVI. Em tempo de desconfinamento, os museus são lugares pacíficos, silenciosos e seguros que nos proporcionam um contacto poderoso e tranquilizador com o que de melhor os que nos antecederam foram dando de si, já para não falar da aliança que ao longo dos anos tem havido entre a arte e o comércio, bem como não é de hoje a transição dos artistas entre países. Os flamengos não são excepção, sendo o caso de Frei Carlos, nascido em Portugal, mas de ascendência flamenga, ou Francisco Henriques, vindo de Bruges por volta de 1500, e autor, entre outras obras, do Retábulo da Sé de Viseu.

Entre Maio e Setembro de 2013, de Jan Van Eyck (nascido em Maaseik, 1390 e falecido em Bruges, 1441) o quadro “Virgem e o Menino com Santa Bárbara, Santa Isabel da Hungria e um doador (Jan Vos)”, foi a obra convidada do Museu de Arte Antiga, ressaltando a revolução representada por este pintor e sua escola no que se refere à representação da realidade. Se quisermos, os “proto” precursores do realismo. Esta sua obra é pertença de “The Frick Collection” de Nova Yorque, e até 1954 tendo sido propriedade da família Rotschild. A propósito de procura de efeitos realistas, e se quisermos não menosprezar a relação entre forma e conteúdo, talvez não seja de desprezar o facto de ter sido na oficina de Van Eyck que se introduziram os óleos de noz e de linhaça de modo a melhor obter aquilo que o folheto da exposição designa como «uma maior subtileza na captação dos efeitos de luz e de gradação cromática e também para a obtenção de transparências que produziam um resultado final mais brilhante e luminoso.» E os pormenores: rostos, plantas, arquitectura, adereços.

E que mais realista poderíamos esperar do que a presença do doador, o patrono que custeou a obra, na própria pintura? Tem a acrescentar o mérito de, vendo-se em tão piedosa pose, poder vir, por mimetismo, a ser o que o olhar de pintor dá a parecer.

A actividade dos artistas foi estando, aliás, ao longo dos tempos, associada aos poderosos e actos políticos, como é o caso de uma outra obra deste precursor dos Primitivos Flamengos, que em 1428 esteve em Portugal para elaborar o retrato do casamento da filha de D. João I, Isabel. 

Nem todos os artistas tiveram comércio com os poderosos, mas ao longo das épocas este foi o estado das coisas, não há que censurá-los, há que não demonizar as necessidades de sobrevivência. Os nossos presidentes da República continuam a ter o seu retrato feito por um grande artista. É a história e para a história. Tal como os pintores flamengos ficarão para sempre, felizmente, associados à nossa história, à nossa história da arte. Graças lhes sejam dadas.

Luso.eu - Jornal das comunidades
Risoleta C. Pinto Pedro
Author: Risoleta C. Pinto PedroEmail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Para ver mais textos, por favor clique no nome do autor
Lista dos seus últimos textos

Adicione o seu comentário aqui!

luso.eu Jornal Comunidades

Não perca as promoções e novidades que reservamos para nossos fiéis assinantes.
O seu endereço de email é apenas utilizado para lhe enviar a nossa newsletter e informações sobre as nossas actividades. Você pode usar o link de cancelamento integrado em cada um de nossos e-mails a qualquer momento.

TEMOS NO SITE

Temos 794 visitantes e 0 membros em linha

A SUA PUBLICIDADE AQUI?

EVENTOS ESTE MÊS

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
9
10
12
13
15
17
18
19
20
22
24
25
26
27
28
29
30
31

News Fotografia