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quinta-feira, 05 agosto 2021

Crónicas de Bruxelas - Sonhar em lusitano?



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Comecei a ler a “História Global de Portugal” com enorme hesitação. Sei como é fácil exceder as interpretações factuais sobre o passado quando as evidências são escassas ou discutíveis. Não é difícil cair na tentação de, apanhando um punhado de indícios interessantes, complementar com alguma imaginação, independentemente de ser verdade ou não.

Aliás, nos Açores, somos permanentemente confrontados com isso, ao ver os autoproclamados “especialistas” afirmar vezes sem conta que, “agora sim”, encontraram a prova inequívoca que o arquipélago já era habitado antes das Descobertas. Passado pouco tempo, invariavelmente, vêm os historiadores e arqueólogos desmentir factualmente as ditas provas. É um “filme” tão delirante que já incluiu pirâmides afundadas junto ao Banco D. João de Castro e tão tentador que passou por um documentário da National Geographic.

Eu estou totalmente convencido que é altamente provável que as ilhas dos Açores tenham sido visitadas por fenícios, por viquingues ou por outros povos antigos. Para além de terem a capacidade tecnológica e a curiosidade, há até alguns indícios nesse sentido. No entanto, o passo que vai do “indício” até à “prova” tem um enorme comprimento e, na minha opinião, este ainda não foi transposto. Mais importante do que aquilo que eu penso, os verdadeiros historiadores e arqueólogos consideram que, neste momento, não há provas de povoamentos ou sequer visitas de povos antigos no arquipélago.

Portanto, depois de ultrapassar as primeiras páginas da “História Global de Portugal” e ao ler aquilo que classifico como “excessivas certezas”, resolvi perguntar a um amigo arqueólogo se os autores eram pessoas sérias, ou seja, se valia a pena continuar. Obtida a sua aprovação, li com redobrado prazer porque, de facto, o livro tem imensas informações e uma abordagem original. Não disserto sobre essa abordagem para não estragar o prazer de quem o for ler. Mas, aviso prévio, vou revelar uma das informações…

Estava então entretido a ler a “História Global de Portugal” quando, de repente, sou confrontado com um par de frases notáveis, quase ao nível da epifania. A língua lusitana não desapareceu! Mais importante, há palavras em português que são, na realidade, de origem lusitana. Não é apenas “Viriato”, mas “veiga”, “lapa”, “lameiro” e “arroio” são também palavras que utilizamos hoje e de uma forma muito parecida com a que os lusitanos usaram há mais de dois mil anos, muito, mas muito antes de Portugal o ser.

Movido pela curiosidade e pesquisando na internet, descobri que há muitos mais vocábulos lusitanos conhecidos, embora não se tenham mantido na nossa língua. Era engraçado encontrar todas as peças necessárias para que se pudesse voltar a falar lusitano. No entanto, pelo que pude apurar, ainda estamos longe de poder construir um verdadeiro dicionário português-lusitano e há muitas dúvidas sobre a forma de pronunciar as palavras que se conhecem. Quanto à fórmula escrita o enigma é ainda maior… Oxalá haja pessoas sérias a estudar este assunto e que um dia o lusitano possa voltar a ser falado.

A diversidade linguística está em risco, essencialmente por causa da globalização e das migrações. Todas as pessoas querem falar com toda a gente e as grandes línguas, na qual se inclui o português, vão-se impondo e esbatendo ou mesmo aniquilando as restantes.

Em 1996, 96% das línguas existentes eram faladas por apenas 3% da população mundial e, em 2003, existiam 6 mil línguas no mundo, no entanto, cerca de metade estava em risco. Estes números, segundo a UNESCO, têm uma enorme probabilidade de piorar com o passar do tempo, estimando esta organização que, por volta de 2100, 90% das línguas tenham sido substituídas pelas dominantes.

Era muito engraçado transformar o lusitano, uma língua morta, numa língua falada. Seria uma forma de dar esperança aos falantes resistentes das línguas em risco, de aumentar a diversidade linguística e de enriquecer ainda mais o património cultural de Portugal.

Será que algum dia poderemos voltar a sonhar em lusitano?

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Frederico Cardigos
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