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As festas, as romarias e o lixo





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4 minutos de leitura

Porque deixam os vendedores da feira o lixo na rua?

Tenho o privilégio de morar no coração da cidade, onde ainda se comemoram festas e romarias. Para percorrer a festa até chegar a casa tenho que comprovar a morada à polícia municipal para só depois atravessar as barreias e circular a baixíssima velocidade por entre a população que passeia pelo meio da rua e se diverte como é da tradição.

O programa revela que as festas e as romarias de acordo com o calendário irão decorrer durante um mês.

Claro que a música de feira entra pelos ouvidos alegremente até horas tardias e impróprias.

Procuro sempre aprender algo de novo e as letras das músicas de feira são sempre bem divertidas e até convidam a um pezinho de dança lá em casa. Basta abrir a janela para que a romaria possa entrar alegremente.

Surge o primeiro problema quando os foguetes rebentam mesmo ao lado de casa. As gatas assustam-se, ficam com o pelo eriçado e desaparecem debaixo da cama.

O cão, ainda mais sensível ao barulho dos foguetes, estremece, assusta-se e foge para um sítio qualquer, porque não cabe debaixo da cama devido ao seu tamanho.

O povo diverte-se e bem.

São os carrosséis com a sua própria música que se mistura com o megafone dos carrinhos de choque ao anunciar “mais uma voltinha”, precedido do som de uma corneta para anunciar o início da corrida.

O cheirinho do algodão doce espalhado pelo ar mistura-se com o pão com chouriço mais à frente. Logo a seguir vem o rolo em cima das brasas fortes do leitão no espeto. A pele tostada, quase queimada liberta um aroma de fazer parar o passeio e entrar na tenda para pedir uma dose da suculenta carne acompanhada do vinho frisante da Bairrada.

Depois de recuperadas as forças da noite, passo pela tômbola colorida e cheia de luzes fortes que vão contra as recomendações da União Europeia para poupar energia, mas a tômbola é mesmo assim e só está aberta durante um mês. Em voz com sotaque espanhol, o homem de microfone ao pescoço anuncia os prémios fantásticos que tem para oferecer aos distintos sortudos.

Já no final da noite passo pelas tendas das bebidas de alto teor alcoólico, pela louça em cerâmica para a cozinha regional, com canecas, pratos e travessas. Imagino que no final da noite, seja uma trabalheira arrumar aquilo tudo, sem falar nas perdas da louça quebrada durante o seu manuseio.

No fim do passeio e já quase a chegar a casa, está a roulotte dos cachorros-quentes, onde faço mais uma paragem para deitar abaixo uma caneca de cerveja gelada acompanhada de um cachorro quente. A propósito, sempre que o meu cão foge de casa, ele vai ao encontro dos cheiros a comida que andam no ar, sem se importar com a confusão normal das pessoas na rua ou com o barulho dos carrosséis, nem com a música alta. Vai direto para a fila dos cachorros-quentes na esperança que alguém tenha alguma comiseração e lhe atire com um pedaço de comida.

A última barraca é a das carteiras da moda para senhora. Carteiras das melhores marcas que só se encontram por ali ou nas lojas mais reputadas. Malas em pele de senhora, carteiras, cintos e outros acessórios indispensáveis à boa aparência de qualquer mulher. Sapatos para homem e mulher, de cerimónia, sapatos de noiva, desportivos, das marcas mais disputadas pelos mais novos, podem encontrar-se por ali. Malas para mulher ao melhor preço, bem como todos os outros artigos dispostos em cima das bancadas.

Mas vamos ao título desta crónica: o lixo depois da festa do povo

Hoje de manhã, ao sair de casa bem cedo, deparo com a imagem patente na foto desta crónica. É um cenário desolador num tempo que lutamos para a erradicação do plástico e do microplástico presente nos oceanos e nos peixes que comemos.

Na rua ao lado, os lixeiros percorriam metodicamente cada espaço da feira para recolher toda aquela quantidade de lixo, composta por cartões e plásticos.

Naquele momento perguntava-me: e se não houvesse recolha de lixo?

Como seria a noite seguinte?

O povo continuaria a percorrer a feira, calcando o lixo da noite anterior?

Como é possível estender os melhores atoalhados e colchas às varandas e janelas para ver passar a procissão sem deixar escapar uma expressão de desalento perante aquele triste cenário?

O que está na imagem é o que também nos define como ser humano.

Acredito que as crenças populares, as lendas e as tradições estão cada vez mais vivas, mas que o povo saberá cada vez mais distinguir o lixo da festa. 

6-out-2022

João Pires

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