O Advento é um período privilegiado de tempo que nos convida a recordar o passado, a viver o presente e a preparar o futuro.

O calendário do tempo traz-nos de novo a quadra natalícia, berço da era cristã e fonte de muitas emoções… Bem cedo, ainda longe da data que marcou o rumo da vida e da história, começam a surgir os mais diversos sinais da festa, numa agitação fora do comum; depressa nos apercebemos do impacto económico e do oportunismo comercial desta época do ano! Com alguma agressividade consumista, que acaba por ocupar o lugar do aconchego e da aproximação, numa salutar oportunidade de reflexão e de encontro, habitada pela força da união e esperança.

Mas não nos devemos desviar do essencial, numa preparação desejada e consciente.

É por isso e com essa finalidade, que a Igreja nos propõe um tempo litúrgico próprio, especialmente dedicado à reflexão, ao restabelecer da paz que brota do coração, à partilha e à solidariedade, à vigilância e alguma mudança de vida. O Advento ou Ad-venire é o tempo certo que prepara e dá evidência à celebração, ao aniversário e à dádiva! Este é um tempo de afirmação e de louvor, que previne e prepara um renascer único, uma chegada para alegrar a vida!

E que fazer face a tantas aparências que iludem, deixando um vazio enorme no coração humano? Como escapar à correria, aos excessos e ao ensurdecedor ruído que por aí vai? Compete a cada um de nós fazer a melhor escolha, num ambiente algo contraditório e adverso; importa estar atento, num assumido despertar da letargia que nos possa manter ligados ao mundo das trevas. Libertos dos grilhões que alienam e amarfanham, prosseguir um caminho de adesão e de compromisso ao encontro d’Aquele que veio, que vem e que virá! Porque todos temos, um fundo de crença e de visão profética, tantas vezes sem nos apercebermos, a mensagem do presépio é oportuna, num exigente apelo à mudança, ao recolhimento e à concórdia.

Estimula e alimenta a profundidade espiritual, devolvendo-nos as alegrias que este mundo não sabe, nem pode dar! E que não se encontram nas luzes e enfeites, nem no ruído e apelos comerciais, nem nos excessos gastronómicos.

Tudo muda quando, serena e confiadamente, nos deixamos invadir por essa força misteriosa e sensacional, que enche bem por dentro a alma! No meio de tanta azáfama e correria em direção ao mundo da frivolidade, existe também, o sinal da alegria e da comunhão fraterna. É fundamental que a gente se deixe cativar com o essencial, não deixando reduzir tudo à casca, menosprezando, deitando fora, excluindo, o sumo do mistério! O segredo consiste em aproveitar bem as oportunidades de mudança, num desejo de aproximação, de tolerância e remissão; num qualquer virar de página, em situações controversas e hostis a uma sadia convivência, tantas vezes familiar e de proximidade!

Que a nossa (con)vivência a caminho de Natal, num tempo oportuno e único, nos ajude a emendar trilhos de vida! Há que saltar a barreira do comodismo, da indiferença, da rotina, da casmurrice, da passividade… Exortação e apelo que liberta e nos permite ter um Natal de todo feliz, com a profundidade da mensagem profética do presépio. Pois que assim seja!

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