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Pessoa sorridente com cabelo comprido e encaracolado, apoiada numa superfície preta, usando uma camisa escura com padrão e várias pulseiras, em ambiente neutro.


O ‘panu di téra’ é a matéria-prima da estilista cabo-verdiana Vânia Barros, que em Portugal promove a cultura do seu país através de peças com projeção internacional e que vestem figuras públicas, como o artista Dino d'Santiago.

Vânia Barros, 28 anos, criou a marca VAA Barros quando em 2020 participou no concurso Bloom, uma iniciativa do Portugal Fashion para potenciar o talento de jovens criadores de moda, em que foi finalista.

À passarela levou a coleção da licenciatura em Design de Moda e Têxtil pela Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, que intitulou de ‘Txabeta’ (o som produzido pelas mulheres que tocam o ‘batuku’) e que resultou de um mergulho que fez na cultura de Cabo Verde, país que deixou com dez anos para vir com a família para Portugal.

Com um tio como cicerone, Vânia Barros reencontrou o seu país de origem e teve a oportunidade de visitar uma exposição que a marcou sobre o ‘panu di téra’, o tecido típico de Cabo Verde, recentemente elevado a Património Cultural Imaterial Nacional.

“Conheci o ‘panu di téra’, conheci a história, fomos às exposições, li alguns livros e aí eu decidi que é algo que eu queria manter na minha marca, sempre”, contou à Lusa.

Nesta coleção ‘Txabeta’, a estilista homenageia também as figuras que têm levado Cabo Verde ao mundo, pintando na roupa figuras como o líder histórico Amílcar Cabral, a cantora Cesária Évora ou o cantor Ildo Lobo.

A projeção surgiu em 2022, quando o cantor Dino d'Santiago utilizou um casaco em ‘panu di téra’, da autoria de VAA Barros (a marca que Vânia Barros entretanto decidiu manter), quando venceu o Globo de Ouro de Melhor Intérprete.

A estilista só desenha peças exclusivas e teve por isso de recusar muitos pedidos de um casaco igual ao que o cantor usou nessa gala.

Muitas outras peças de roupa elaborou desde então e também para algumas figuras públicas, como a atriz Cláudia Semedo, e pelas reações positivas foi percebendo que “estava no bom caminho”.

Trabalhar este tecido icónico, que nos séculos XVI e XVII chegou a ser usado como moeda para o pagamento de salários e trocas comerciais, é “extremamente difícil” porque, como é feito à mão, torna-se instável.

“Eu lavo primeiro com água fria, à mão, e deixo secar naturalmente. Depois é que eu passo a ferro”, explicou, adiantando que, no caso dos casacos, recorre à entretela para estabilizar o tecido antes de o trabalhar.

E as dificuldades começam logo na aquisição do pano, que consegue através do artesão Henrique Ribeiro, o único a fazer ‘panu di téra’ em Portugal.

Para os desenhos terem uma sequência, são necessários vários panos, o que encarece o produto final. Um simples blazer pode levar até cinco panos e vários dias a ser produzido. Mas Vânia Barros tem tido clientes fieis, que conhecem o custo da matéria-prima do seu trabalho e, por isso, entendem o valor.

Questionada sobre qual a peça que mais gosta, escolheu uma saia preta adornada com uma faixa de ‘panu di téra’ com missangas, colocada ao nível do quadril, tal como o pano usado pelas batucadeiras, com os fios das missangas a intensificarem a imagem do movimento.

Além do trabalho como estilista, Vânia Barros é professora universitária e designer de uma marca.


 



 

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