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segunda-feira, 20 setembro 2021

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"Os fãs não se esqueceram de mim" - Lena d’Água



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Dona de uma voz suave e melodiosa, Lena d’Água apareceu, sob os holofotes mediáticos, com a onda musical do período pós-revolucionário, no ‘boom’ da música pop/rock cantada em português. Para muitos adolescentes da época, era um anjo caído do céu. 

Vista como uma ‘sex symbol’, Lena encantou e partiu corações de muitos jovens e menos jovens, gravou vários temas de sucesso que ainda hoje se cantam e se ouvem, regressa, agora, aos grandes palcos com o álbum/CD de inéditos ‘Desalmadamente’, considerado por muitos o melhor disco de 2019.

Nesta entrevista Lena d’Água fala do passado, do presente e dos projectos para o futuro. 

Joaquim Galante (*) 

FOCUSMSN / LUSO.EU: Como nasceu o teu gosto pela música?

Lena d’Água: Comecei a gostar de música porque os meus pais adoravam música, o meu pai adorava cantar, e cantava muito bem. Enquanto jogador do Benfica, viajava muito e comprava muitos discos (vinis) do Frank Sinatra, Nat King Cole, e outros cantores da época, e eu cresci a ouvir estas melodias no gira-discos lá de casa.

Mas o que me fez encarar a música de outra forma foi quando o meu pai saiu do Benfica e foi jogar, no seu último ano como futebolista, no Áustria de Viena. Um dia, fomos assistir a um concerto dos Pequenos Cantores de Viena e eu fiquei completamente espantada e admirada com aqueles miúdos. Tinham a mesma idade que eu, à volta de sete anos, e por momentos imaginei-me entre eles, aquilo tocou-me tanto que, ainda hoje me recordo desses momentos.

Pedi ao meu pai que me comprasse discos dos Pequenos Cantores, ele comprou-me vários e eu não me cansava de ouvi-los e a imagina-los ao vivo, foi o meu primeiro contacto a sério com a música.

FOCUSMSN/LUSO.EU —  A partir daqui o teu gosto pela música acentuou-se….

LA: — Sim, cada vez mais, aos catorze anos, quando dispensei de exame, no quinto ano, pedi ao meu pai uma viola, ainda me lembro de ter custado 999$00, na rua do Carmo, e a partir daí comecei a entrar a sério na música, aprendi a tocar viola, inspirei-me na Melanie Safka, por quem fiquei completamente apaixonada, aquela voz, o som, a maneira como ela manejava a viola, cativou-me.

Entretanto dá-se o 25 de Abril… 

FOCUSMSN/LUSO.EU — O que recordas dessa altura?

LA: — Quando se dá o 25 de Abril, estudava no ISCTE, estava no primeiro ano de sociologia, tinha dezassete anos, lembro-me de nesse dia ter ido para lá de autocarro, tinha aula de matemática às oito da manhã, mas a faculdade estava fechada.

Estavam meia dúzia de colegas meus à porta e um deles gritava excitadíssimo, dando-me a notícia repetidamente, ‘ocuparam o Rádio Clube’, ficamos uns momentos à conversa, pois para nós aquilo era tudo novidade, nem sabíamos bem o que estava a acontecer. Um dos meus colegas tinha carro e fomos aventurar-nos por Lisboa, passamos no Cais Sodré, Terreiro do Paço, Castelo de S. Jorge, etc.

Eu era a única rapariga que estava no carro e lembro-me de lhes dizer, na minha inocência que ‘este dia (25 de Abril) vai ficar na nossa história’ e repeti-o várias vezes, pressentia que algo de grande estava a acontecer.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Em 1976 começas a entrar no cenário musical como vocalista do grupo de rock progressivo Beatnicks. Fala-me desses tempos e do que recordas desses teus primeiros passos na música?

LA: — Éramos dois vocalistas eu e o Tó Leal, na altura muito jovens, ele com dezassete anos e eu dezanove, fui convidada para ser a voz feminina, o que na altura era uma novidade, numa banda de rock em Portugal. Fazíamos alguns concertos em festas de finalistas e nos liceus, tocávamos músicas originais e também alguns covers dos Pink Floyd, Yes, etc., mas nunca chegamos a gravar discos, nem ter presença nas rádios, até porque naquela altura o rock ainda não era bem visto pelos portugueses, era considerado música de segunda categoria.

FOCUSMSN/LUSO.EU —Mas ainda assim foram convidados para fazer, no coliseu a primeira parte do espectáculo do baterista Jim Capaldi em 1978…

LA: — Exactamente, nós já tínhamos dado nas vistas e apesar de não sermos um produto interessante para as editoras, alguns produtores que nos ouviram, nomeadamente o António Moniz Pereira, que fez parte do Quarteto 1111 e estava ligado à Valentim de Carvalho, que nos viu actuar no festival musical Açores, em 1977, a partir daí comecei a receber alguns convites para fazer gravações de coros de artistas consagrados e para publicidade, e acabo por conhecer o Zé da Ponte e o Luís Pedro Fonseca. 

FOCUSMSN/LUSO.EU — O teu último espectáculo com os Beatnicks foi no Coliseu em 1978, actuaram na primeira parte do baterista Jim Capaldi porque deixaste a banda após esse concerto?

LA: — Eu estava casada, desde 1975, com o Ramiro Martins, viola baixo da banda, e nesse concerto só apareci porque tínhamos assumido esse compromisso com os produtores, o nosso relacionamento tinha chegado ao fim, sentia-me triste, separámo-nos uns dias antes do concerto, na altura a Sara tinha dois anos, mudei-me para casa dos meus pais, daí ter sido a minha última aparição nos Beatnicks. 

FOCUSMSN/LUSO.EU —Nesses dois anos nos Beatnicks tiveste momentos bons…

LA: — Foram dois anos maravilhosos, adorei a experiência e foi de alguma forma o trampolim para abraçar outros projectos musicais, foi um estágio prolongado, uma pré-história na minha vida profissional.

Em 1980 aparece finalmente aquele que viria a ser o fenómeno Lena d’Água, aquela que terá sido a voz mais marcante do boom do pop/rock cantado em português. Participas num festival da canção e apareces como vocalista da banda ‘Salada de Frutas’ com o álbum ‘Sem Açúcar’, em 1980. 

FOCUSMSN/LUSO.EU — Sentiste vontade de abraçar um projecto de raiz o que não tinha acontecido com Beatnicks?

LA: — Não senti essa vontade imediata, aconteceu por acaso, como te tinha dito, eu conheci o Zé da Ponte e o Luís Pedro Fonseca na publicidade, em 1977, gravamos alguns jingles e as nossas vozes ligavam-se muito bem, e tanto um como o outro eram músicos de excelência, com uma criatividade incrível e muitas ideias, sentíamo-nos muito bem a cantar juntos.

Um dia, o Luís Pedro propôs formarmos uma banda, ele tinha montes de coisas feitas para divulgar, coisas incríveis e aceitamos logo a ideia. Mas tínhamos que escolher um nome para a banda, nesse dia estávamos à mesa no restaurante, eu e o Luís Pedro éramos na altura vegetarianos, pedi para sobremesa salada de frutas, e como é a minha sobremesa favorita surgiu-me essa ideia, o Zé Pedro queria mousse de chocolate (risos).

Depois fomos buscar um guitarrista e um baterista para fazermos o disco e assim nasceu a banda a ‘Salada de Frutas’.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Do álbum ‘Sem Açúcar’ destaca-se o êxito musical ‘Como Se Eu Fosse Tua’ é de alguma forma o retrato dos teus recentes problemas a nível sentimental/pessoal?

LA: — Não fui eu que escrevi a letra, a letra é do Luís Pedro e, sim, foi baseada na minha recente história de vida, retrata os meus problemas e de muitos outros casais, em que chega uma altura em que um se sente preso ao outro, em que deixas de ter liberdade, perdes identidade e passas a ser uma ‘coisa’. 

FOCUSMSN/LUSO.EU — No ano seguinte editam o single ‘Robot’, um grande sucesso comercial, saltam directamente para a liderança do Top de vendas nacional, foi um dos grandes sucessos desse ano, mas curiosamente a banda chega ao fim. O que aconteceu?

LA: — A banda ‘Salada de Frutas’ edita o LP ‘Sem Açúcar’, em 1980, um disco incrível que só foi editado em vinil. Como te disse anteriormente, nós os três fomos buscar dois elementos para fazer parte da banda, éramos então cinco elementos.

Após a actuação na Festa do Avante, em 1981, em que fizemos um concerto ‘do caraças’, tenho algumas fotografias, mas não existe vídeo nem gravação de áudio, foi um concerto incrível, os dois convidados, mais o Zé da Ponte, já tinham congeminado afastar-me da banda porque não queriam ter uma vedeta feminina a representa-la, fizeram maioria, chamaram o Luís Pedro à parte e disseram-lhe que prescindiam dos serviços da cantora, nem comigo falaram, o Luís Pedro disse-lhes ‘vocês estão parvos’, e saiu comigo.

Achavam que eu tinha o protagonismo na banda e eles ficavam na sombra, de facto os jornalistas e fotógrafos era a mim que procuravam mas eu não fazia por isso, apenas queria dar sempre o melhor em palco e o melhor para a banda. A partir daqui o grupo que ficou, deixa de se denominar a ‘Salada de Frutas’ e passou a ser ‘Os Salada de Frutas’. 

FOCUSMSN/LUSO.EU — Ainda nesse ano reapareces como Lena d’Água e a banda Atlântida, e de novo alcanças o Top de vendas com o single ‘Vígaro Cá, Vígaro Lá’. Quando te ouvi cantar esta música, no FNAC LIVE, arrepiei-me, viajei num tempo que passou tão rápido, achas que a letra ainda continua actual?

LA: — (gargalhadas) Então não!, a malta pensava que aquilo era tão mau na altura mas há cada vez mais vígaros, cá e lá. O Luís Pedro era um visionário, um grande compositor, nunca lhe foi feita justiça ao génio criativo, nunca teve o reconhecimento merecido pela obra feita, é por isso que tu, em 2020, ouves o ‘Vígaro Cá, Vígaro Lá’, que gravamos em 1981, e ‘aquilo’ continua a bater. Uma grande canção com uma letra intemporal.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Em 1982 editas o álbum ‘Perto de Ti’ de onde se destacam os singles ‘Nuclear Não Obrigado’ e ‘Demagogia’ letras bem interventivas e críticas ao poder político, querias mostrar a tua indignação?

LA: — A música ‘Nuclear não Obrigado’, foi escrita porque havia a intenção do governo de construir uma central nuclear em Peniche, na altura houve um movimento de vários artistas, contra a sua construção, felizmente a intenção do governo não avançou. A música foi uma ideia do Carlos Fortuna e depois o Luís Pedro completou a música e fez a letra, a canção ‘Demagogia’ pode-se cantar em qualquer altura, é sempre actual (muitos risos). 

FOCUSMSN/LUSO.EU — Do mesmo álbum a canção ‘Perto de Ti’ é dedicada a alguém em particular?

LA: — Não, é uma música de amor, dedicada a uma pessoa que amas, a alguém que fez parte da tua vida e já não faz, a alguém que faleceu, é sobretudo uma música de coração e de paixão espiritual.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Em 1984 ‘Lusitânia’ outro álbum de sucesso, de onde destaco a música ‘Sempre Que o Amor Me Quiser’. O amor sempre foi muito importante para ti?

LA: — (risos) Sempre foi e continua a ser, é o amor que nos salva quando tudo falha. A única coisa que não pode falhar e faltar é o amor, por isso, sempre que o amor me quiser, chame-me que eu vou. Recentemente, perdi duas pessoas queridas e quando cantei, depois disso, ‘Voltas Trocadas’ comovi-me imenso porque de facto hoje estamos aqui e de repente já não estamos. O amor é a força maior que dá sentido às nossas vidas.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Porque terminou o projecto Lena d’Água e a banda Atlântida?

LA: — Em 1983/84, o Luís Pedro tinha feito dois álbuns para o Rão Kyao, discos incríveis, discos de platina, foram o ‘Fado Bailado’ e ‘Estrada da Luz’. O Rão começa a fazer muitas digressões pelo país e estrangeiro, na altura a banda Atlântida já era uma estrutura muito pesada, movimentava muitos músicos, técnicos, etc., e era o Luís Pedro quem controlava tudo isso e já denotava cansaço e desgaste. Conversamos sobre a sua intenção de deixar o projecto Atântida e com a minha compreensão, decidiu seguir o seu caminho com o Rão Kyao, entrou então o Zé Marinho para o lugar de teclados e direcção musical.

 

Mudando de assunto…

FOCUSMSN/LUSO.EU — Foste próxima do António Variações, como foi essa amizade e o que recordas dele?

LA: — Olha, a primeira vez que o ouvi, ainda antes de o ver, foi na Valentim de Carvalho, eu estava com o Janita Salomé na sala ao lado e começamos a ouvir uns sons gritados e começamos a rir, nunca antes tinha ouvido algo do género, eu disse para o Janita ‘fogo há cada maluco’ (gargalhadas).

Nesse mesmo dia ou no seguinte, conheci o António pessoalmente, cruzamo-nos na Valentim, que ficava, antes do incêndio no Chiado, na rua Nova do Almada, conversei com ele um pouco e logo ali vi que aquele homem era diferenciado, com a continuação pude ver o quanto ele era adorável, muito querido, educado, gentil e amoroso (risos).

Quando prestei mais atenção às letras das canções que ele escreveu comecei a ter por ele uma grande admiração. Aquele primeiro impacto negativo foi logo varrido, nunca mais me esqueci daquele episódio quando ele estava a ensaiar uma canção da Amália, ‘Povo Que Lavas No Rio’, mas depois vês que aquela pessoa é tão especial, que fiquei completamente rendida.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Tiveste algum episódio marcante que queiras recordar além do já referido?

LA: — (risos) Se contasse todos os episódios nunca mais parávamos de falar, olha, uma vez foi quando fomos andar de helicóptero, uma aventura muito divertida, outra no Jamaica, no Cais Sodré, depois o Pedro Valentim de Carvalho acabou por levar-nos a casa, nem eu nem o António tínhamos carta, sei lá tantas (risos).

Lembro-me de uma situação muito engraçada no hotel Atlântico, num evento com apresentação do Júlio Isidro para a rádio, onde estávamos eu, o António e o Marco Paulo, na altura eu era famosa (gargalhadas), as fãs corriam para o Variações a pedir autógrafos e nem olhavam para o Marco, e olha que nessa altura o Marco era adorado por milhares de fãs por todo o país, estava no topo.

Depois de passado o reboliço, estávamos sentados à mesa do restaurante, o Marco disse ao António, ‘qualquer dia ainda ponho uma bomba no teu carro’, meio a brincar meio enciumado, ao que o António respondeu perguntando ‘qual carro?’ (gargalhadas), o António nem conduzia.

Estas memórias que ficaram, foram muito marcantes, quando o vi pouco antes de ser internado, no estúdio da Valentim, em Paço d’Arcos, estava a gravar o ‘Lusitânia’, em 84, ele já estava muito magro, com um ar preocupado e abatido. Disse-me que andava a fazer uns exames para se saber que doença seria.

Nunca mais me esqueci da forma carinhosa como me chamava ‘Aguinhaaaaa’ sempre que me via, sinto muitas saudades dele. 

FOCUSMSN/LUSO.EU — Cantas ‘Estou Além’ (música integrada no álbum de 1987 ‘Aguaceiro’) porque escolheste essa música?

LA: — A escolha não foi minha, a produção do disco foi do António Emiliano, e sugeriu-me que escolhesse uma canção de um outro artista para incluir no disco, escolhi ‘Anjinho da Guarda’, do Variações, adoro esta música, posteriormente o Emiliano aconselhou-me o ‘Estou Além’ por se poder fazer melhor os arranjos, no ‘Anjinho’ era muito mais difícil fugir ao original. E assim foi, é um disco que eu gosto muito e ainda hoje as pessoas gostam de me ouvir cantar esta música.

 FOCUSMSN/LUSO.EU — ‘Tu Aqui’ de 1989 é um álbum dedicado a Variações…

LA: — Claro que sim, a maior parte do disco são inéditos do António, coisas que ele tinha deixado em apontamentos, sons que ele tinha gravado em cassete, na casa dele, ‘Tu Aqui’, por exemplo, foi um dos temas que ele deixou sem ter tido tempo para gravar.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Em 1992 editas o álbum de música infantil, em que cantas poesias do livro ‘Ou Isto ou Aquilo’ de Cecília Meireles e que dá o nome ao álbum, foste actriz e directora musical na peça de teatro. O teatro e a música infantil é algo que te fascina?

LA: — Vou fazer um flashback, quando eu deixei de poder ir à faculdade, pelo momento de instabilidade que se vivia no país, as aulas foram interrompidas no ISCTE, fui-me inscrever no magistério primário, fiquei habilitada a poder ser professora do ensino básico, embora não seja praticante (risos), sempre gostei de lidar e estar entre crianças, nessa peça de teatro, em que fui directora musical, as músicas foram todas compostas pelo Luís Pedro Fonseca, em 1978, foi um prazer enorme poder cantar músicas destinadas ao público infantil.

Eu fiz parte do grupo de actores que levou à cena, com encenação de José Caldas, essa peça maravilhosa, no âmbito da dinamização cultural posta em prática pelo governo, mas nessa altura não tivemos condições para gravar as canções em disco. Passados 14 anos, no estúdio do Luís Pedro, Xangrilá, é que então finalmente foi possível passar as canções para disco.

Há 3 anos, uma semana antes do Natal, levamos a peça ao teatro Carlos Alberto, no Porto, com elenco reduzido, eu como cantora, um músico e um actor, deu-me um prazer enorme e trouxe-me à memória outros tempos.

Depois de 1992 colaboras em projectos musicais com outros cantores e grupos, participas num big brother de famosos, escreves um livro, tens espectáculos itinerantes e de tributo e mais recentemente concorres ao Festival da Canção. Em 2019 regressas com um álbum de inéditos que preparavas, desde 2017, com alguma ansiedade, ‘Desalmadamente’.

FOCUSMSN/LUSO.EU — 30 anos após ‘Tu Aqui’, foi o momento que esperavas para voltares a acreditar que ainda tens muito para dar à música, encarar e abraçar de novo os fãs?

LA: — Oh pá!, agora abraçar é que está difícil (muitos risos), mas quando voltei em 2019 podia-se abraçar e dar autógrafos aos fãs, foi para mim uma alegria enorme saber e sentir que as pessoas não se tinham esquecido de mim e que gostavam ainda de me ouvir cantar, não apenas os meus sucessos do passado mas principalmente os temas inéditos que compõem o novo álbum. Tem sido tudo maravilhoso.

Tenho-me sentido muito amada, muito ‘rebem-vinda’, espero que muito em breve as coisas voltem à normalidade, deixemos passar o inverno, entrar na primavera, para ver se as coisas melhoram porque os fãs precisam de nós e nós deles.

FOCUSMSN/LUSO.EU — ‘Desalmadamente’ é a prova que, 40 anos depois do ‘Sem Açúcar’, ainda sentes a mesma vontade, a mesma energia em palco, para continuar a cantar e a encantar?

LA: — Positivo!! (risos), claro que sim, tu viste lá no teatro Maria Matos, estávamos há meses sem tocar por causa da pandemia e mesmo assim saiu tudo tão bem.

Adoro estes músicos, a ligação que nós temos, conhecemo-nos há quase 5 anos, temos uma intimidade muito familiar, é como se tivéssemos a mesma idade (risos).

FOCUSMSN/LUSO.EU — Quando assisti ao teu show, no Maria Matos, no final do ano passado, cantaste desalmadamente como se fosse a tua primeira vez em palco, muita energia, muita jovialidade, muita interacção com o público, notei-te imensamente feliz. Estás preparada para continuar a ‘Grande Festa’, single que marca o teu regresso aos inéditos, 30 anos depois?

LA: — Afirmativo!! (risos), olha, faço 45 anos de carreira agora em Maio, os mesmos que o Pedro Silva Martins, que escreveu todas as letras das músicas deste novo disco, faz de idade, a canção ‘Robot’ faz 40 anos, não sabemos como estará a situação pandémica no país em Maio, mas nós contamos fazer uma celebração 3 em 1 (risos).

Quero celebrar em Maio estes dois momentos marcantes na minha vida profissional, o aniversário do meu início de carreira e o do meu primeiro grande sucesso comercial. Vamos ver como vai ser. Gostava de poder ter o maior número de fãs na plateia para podermos celebrar juntos.

FOCUSMSN/LUSO.EU — Além do mencionado, que outros projectos tens para este ano e de que forma esta pandemia te tem prejudicado?

LA: — Olha, já tínhamos 12 concertos quase confirmados que se foram e não sei como irá ser até final do ano. Paralelamente, quero começar a escrever a minha autobiografia, um projecto de longo prazo, mas que em breve vai começar a tomar forma, falar em novos discos é prematuro, pela forma como as coisas estão, as editoras estão em contenção. Vou vivendo, um dia de cada vez, aproveitar para me manter ocupada e focada, e esperar sempre que o amanhã seja melhor que hoje.

 

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(*) FOCUSMSN


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