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Falta de documentos trava integração da maior comunidade imigrante em Cabo Verde





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Os imigrantes da Guiné-Bissau já representam mais de um terço dos estrangeiros residentes em Cabo Verde, mas a busca por uma oportunidade naquele que chamam de “país irmão” continua a ser dificultada pela falta de documentos.

"Nós não temos oportunidades aqui em Cabo Verde. Mesmo sendo formado, não consigo arranjar um emprego por causa da minha nacionalidade”, afirmou à Lusa Malan Gomes, guineense de 33 anos, licenciado em Multimédia e que trabalha como costureiro na cidade da Praia, por conta própria.

A viver em Cabo Verde há dez anos, Malan Gomes tarda em cumprir os sonhos que o levaram à Praia, fugindo ao ambiente de "turbulência, insegurança e incerteza” da Guiné-Bissau.

As relações históricas entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde, que partilham a luta contra o regime colonial português e um herói nacional comum em Amílcar Cabral, levaram-no a partir: “Escolhi Cabo Verde porque sinto-me um integrante do povo cabo-verdiano, estamos ligados, somos irmãos”.

A instabilidade política na Guiné-Bissau, e as consequentes dificuldades económicas, ajudam a explicar o forte movimento migratório para Cabo Verde. A comunidade guineense residente em Cabo Verde, conforme dados do recenseamento realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 2021 e divulgados este mês, está estimada 33,7% do total de 10.875 cidadãos de nacionalidade estrangeira no arquipélago, representando assim um terço do total.

Oficialmente são assim quase 3.700 guineenses em Cabo Verde, mas fonte da Embaixada da Guiné-Bissau na Praia já tinha admitido anteriormente à Lusa que a realidade será superior a 10.000. Muitos vivem em situação irregular em Cabo Verde há vários anos, cuja resolução é dificultada pela falta de documentação, nomeadamente a partir de Bissau.

"Sou formado, mas não consigo arranjar trabalho porque não tenho documentos”, frisou Malan, sublinhando a importância de ter um cartão de residência para conseguir um contrato de trabalho em Cabo Verde que permita ajudar a sustentar a família, que ficou ba Guiné-Bissau.

Buda Silla, 36 anos, passa pelo mesmo e já perdeu a conta às cartas de trabalho que entregou nas empresas na cidade da praia, sempre sem resposta, embora continue "confiante".

"Gostaria que as pessoas deixassem o preconceito de lado e nos dessem mais oportunidades", lamentou Buda, morador no bairro de Lém-Ferreira, na capital cabo-verdiana, há mais de dez anos e que sente na pele esta discriminação, alimentada por alguns choques culturais entre os dois países.

A maior parte da comunidade da Guiné-Bissau residente na Praia dedica-se às atividades na construção civil e obras públicas, comércio e segurança noturna.

Há também quem viva das suas próprias raízes, vendendo pratos típicos da Guiné-Bissau. É o caso de Maria Gomes, de 31 anos, mais conhecida por "Mulher do Tibujéne", nome de um prato típico guineense, que desde que chegou a Cabo Verde, em 2010, vende nas ruas da cidade.

Maria viu ali a oportunidade de ganhar "algum dinheiro" para ajudar o marido com as despesas, mas admite que a situação tem sido difícil, principalmente com a crise provocada pela pandemia.

"A covid-19 provocou a crise e assim não consigo vender tal como queria, e não posso fazer outra coisa porque não tenho documentos também", frisou.

Para milhares de imigrantes em situação irregular em Cabo Verde, a oportunidade de legalização surgiu este ano. Uma iniciativa do Governo cabo-verdiano, iniciada em 15 de janeiro, prevê um período de regularização extraordinária, processo simplificado ao nível da documentação exigida e que vai decorrer exclusivamente por via eletrónica até 15 de junho.

Maria Gomes afirmou à Lusa que já tratou do processo e aguarda a decisão final sobre a legalização, enquanto para Buda e Malan a falta de documentos de Bissau continua a travar o sonho de uma vida em Cabo Verde.

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