Cabo Verde

Jul142010
Escrito por Luso Presse
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Embaixador : S.E. Fernando Jorge WHANON FERREIRA

Embaixada

Avenue Jeanne, 29
1050 Bruxelas

Tel. 02 643 62 70 - Fax 02 646 33 85

 


Festa nacional - 5 de Julho

 

Capital - Praia

População - 500 000

Moeda - Escudo de Cabo Verde


Cultura

O povoamento das ilhas foi feito por brancos, na sua maioria portugueses, mas também italianos (genoveses), holandeses, ingleses e franceses, e por negros de várias etnias, trazidos como escravos da costa ocidental de África, principalmente balantas, papéis e jalofos. Cabo Verde serviu também de destino para crianças judias.

A miscigenação gerou uma cultura específica do arquipélago e uma língua própria, o crioulo. Este dialecto terá surgido, no século XVII, primeiro nas ilhas de Santiago e Fogo e nos rios da Guiné.
Desde o século XVI que os mulatos foram gradualmente adquirindo importância económica e social. Foi nesse século, os moradores da cidade Ribeira Grande solicitam à coroa admitir para certas funções os "pardos" de Santiago.

A expansão dos mulatos não era, contudo, pacífica. Em 1620, os espanhóis que dominavam Portugal, degredam para Cabo Verde prostitutas portuguesas para que as mesmas pudessem mitigar a proliferação de mulatos. Seja como for, a ascensão do mulato não parou.

No século XIX, os mulatos cabo-verdianos davam mostras de ter cada vez mais consciência da sua identidade. Para isso concorreu uma série de órgãos, que possibilitaram o encontro e a discussão dos problemas específicos das ilhas:
A Imprensa local: Boletim Oficial (1842), O Independente (1877), O Correio de Cabo Verde (1879), Revista de Cabo Verde (1899)
Associações Culturais: Sociedade Recreativa Esperança (1853), Sociedade Filarmónica Juventude (1864), Grémio Promotor (1867)
Instituições Culturais: Gabinetes de Leitura (o primeiro abriu em 1853, na capital); Teatro Africano (década de 60 do século XIX); Biblioteca da Cidade da Praia (1871).

Organizações Políticas: A Maçonaria Portuguesa (Grande Oriente Lusitano), que tinha lojas em Cabo Verde desde pelo menos 1840.
Ao longo do século XIX são muitos os intelectuais cabo-verdianos que se salientam na defesa da identidade da cultura crioula, ideias que serão largamente difundidas durante a Iª. República Portuguesa (1910-1926).

Hoje, cerca de 71% dos habitantes do arquipélago são crioulos luso-africanos e cerca de 28% africanos.
A perfeita simbiose de povos em Cabo Verde acabou por criar um "Homem Novo" que tem servido de inspiração a diversas concepções ideológicas, nomeadamente do luso-tropicalismo.
A cultura do povo cabo-verdiano reflecte a simbiose de cinco séculos de convivência de influências europeias e africanas, estando a interligação destas presente na diversas manifestações da cultura popular.
Traços culturais de grande interesse estão presentes na vida quotidiana da população, no fabrico de objectos de uso diário e nos hábitos associado à sobrevivência e actividades de lazer. Os objectos tradicionais, produzidos para uso comum e muito procurados pelos visitantes, traduzem uma vivência dificultada pela seca, factor omnipresente no dia-a-dia dos habitantes.

Os resultados de cestaria, em caniço, são muito diversificados, com objectos variados para uso diário ou para decoração. O artesanato feito em casca de coco tem também objectos decorativos e utilitários de grande interesse. A tecelagem, cujos produtos mereceram honras de moedas durante o século XVIII, é de algodão, com as cores tradicionais branco e azul índigo, sendo também muito apreciados os trabalhos de tapeçaria produzidos por Bela Duarte, da ilha de S. Vicente.
O quotidiano da população é melhorado por uma gastronomia caracterizada por combinações diversificadas dos produtos de alimentação popular - milho, feijão, batata doce, mandioca, peixes e carnes diversas - enriquecidos pelos sabores dos licores e doces tradicionais.

O prato de referência é a cachupa, muito consumida por toda a população, com ingredientes diversos consoante a hora do dia e o poder de compra do consumidor.

A música é uma manifestação cultural por excelência, bastante presente na vida das comunidades e parte integrante das celebrações familiares e sociais, bem como das festividades celebradas em cada ilha em honra dos santos padroeiros. Exemplo disso é a festa de S. Jõm, com tambores percutidos até à exaustão, por ocasião do solstício de Verão, em 24 de Junho. Instrumentos muito utilizados são os de corda, a exemplo do violão, viola, cavaquinho e violino, não faltando os tambores e outros instrumentos de percussão.

A música tem expressões muito próprias:
a) morna, a música de saudade dos cabo-verdianos espalhados pelo mundo, do destino de quem quer ficar e tem de partir;
b) coladeira e funáná, canções de humor, alegria e sensualismo;
c) tabanca, da ilha de Santiago, repetitiva, com búzios soprados, tambores e cornetas, executada por mulheres que tocam percussão em panos, bolsas e garrafas de plástico, batendo nas coxas, nas pernas, num ritmo muito africano;
d) pilão da ilha do Fogo, nas noites que antecedem as Festas da Bandeira, quando as mulheres pilam o milho para preparar o cherem, ao som de cantigas, rufar de tambores e matraquear de tchabeta na borda dos pilões;
e) finaçon, de origem africana, que remonta à época da escravatura;
f) músicas importadas da Europa - mazurca, contradança, canto da divina e, mais recentemente, a nova música, com influências múltiplas do exterior.
Entre os músicos cabo-verdianos mais conhecidos destacam-se: Cesária Évora, Titina, Dany Silva, Tito Paris, Tubarões, Finaçon e Bulimundo entre outros.
A literatura cabo-verdiana é das mais ricas da África lusófona. O movimento literário mais importante foi iniciado, em 1936, por intelectuais e escritores, ex-alunos do Seminário de São Nicolau, em torno da revista literária Claridade, e caracterizou-se pela oposição à ditadura do poder colonial e por uma revolução estética de ruptura com os modelos europeus.

Entre os representantes deste movimento destacam-se Baltazar Lopes da Silva, autor de “Chiquinho”, a maior novela de Cabo Verde; Manuel Lopes, com os romances "Chuva Brava" e "Os Flagelados do Vento Leste"; autores como José Barbosa, Felis Monteiro, António França, poeta, e Germano Almeida, autor de "O Meu Poeta” e “Testamento do Senhor Napumoceno".

A língua crioula é representada por Ana Procópio, poetisa do improviso nas festas populares da ilha do Fogo; bem como por Eugénio Tavares, da ilha Brava, Mário Barbosa, do Fogo, B. Leza e Manuel de Novas, de S. Vicente, autores célebres de mornas e coladeiras; e Sérgio Frusoni, que traduziu em crioulo o Novo Testamento para os Protestantes Nazarenos.
A pintura tem dignos representantes em Manuel Figueira, Tchalé Figueira, Barbieo Barros-Gizzi, Leão Lopes, Maria-Luisa Queirós, Maria Alice Fernandes, Kiki Lima, David Levy Lima e Abraão Lima.

A cerâmica tradicional é de barro vermelho, sem decoração nem vidrado. Alguns artistas nacionais contemporâneos, com destaque para Maria de Lurdes Vieira, têm feito pesquisa nesta actividade, introduzindo cores e novas técnicas, recriando objectos e formas.
Estes trabalhos podem ser apreciados em algumas lojas especializadas (Nativa, na Praia, Alternativa e Centro Nacional de Artesanato, em São Vicente) ou em exposições e feiras internacionais.

É de notar que parte dos artistas e intelectuais cabo-verdianos vivem e trabalham nas diversas comunidades espalhadas pelo mundo. Em Lisboa, encontra-se a maior concentração de quadros técnicos e artistas, com uma forte ligação ao país de origem.
O dinamismo dos cabo-verdianos residentes no estrangeiro teve um ponto alto no I Congresso de Quadros Cabo-Verdianos no Exterior, que se realizou em 29-30 de Junho e 1 de Julho de 1994, em Lisboa.

O cinema tem também alguma tradição a nível de amadores e começa a dar os primeiros passos na longa metragem pela mão de Leão Lopes, ex-ministro da Cultura e da Comunicação, com a rodagem de "O Ilhéu de Contenda", baseado na obra homónima do escritor Teixeira de Sousa. A rodagem de outra longa metragem está já em preparação, com base na obra "Testamento do Senhor Napumocento" do escritor Germano Almeida.
Os grupos culturais e étnicos existentes são o Crioulo (mistura de Africano e Português), o Africano e o Europeu; os vestígios da cultura africana são mais pronunciados na Ilha de Santiago.

A língua oficial é o Português, mas quase todos os cabo-verdianos falam o Crioulo.
Apesar de ser um país de recursos muito escassos, Cabo Verde apresenta indicadores demográficos e sociais muito favoráveis relativamente a outros países africanos. Desde a independência, o país tem formado, em média, 1.500 quadros superiores por ano.

Actualizado em Jul142010

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