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ADIADAS AS FESTAS E ROMARIAS DE PORTUGAL

IDT-N°/ : 5549
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Só mesmo para o ano; mas há muita vida para além das festas! 

Somos, por natureza, um povo que gosta de celebrar, com muita paixão, as tradições, os usos e costumes; no país, mas também pelo mundo fora, onde a nossa Diáspora, se mostra orgulhosa de todo esse legado cultural e onde tudo é ainda mais intenso e sadio! Somos isso mesmo, um povo que gosta de expressar o seu sentimento de forma alegre e sedutora.

Prova disso são as centenas de festas e romarias, das mais singelas às mais mediatizadas, da pequena aldeia do Minho aos Açores! Somos isso mesmo: um misto de sagrado e de profano, numa relação sempre digna e dignificante da mais genuína tradição! Do folclore, da etnografia, do artesanato, da gastronomia, da nossa língua e literatura, do nosso saber e forma de estar na vida! Portugal que se afirma dentro e fora, com as mesmas causas e pelas mais elevadas razões altruístas, tão peculiares, tão nossas. Porque a vida deve ser uma festa esperamos sempre pela próxima ocasião, desta vez remetida para 2021 ou não fosse o rigor e a protecção, sobre uma tragédia humana e social, contra a qual devemos continuar a lutar, para vencer!

Precisamente e por imperativos que nos chegam de longe, por imposições legais, alheias da nossa vontade, não haverá manifestações, nem festas neste verão em 2020 pelas causas, já referenciadas e por isso assumidas! Tal facto não nos vai impedir de estar no lugar que nos é reservado; quer na praia, no campo, na serra e claro no burgo, de onde somos provenientes. Residentes e forasteiros, no rigoroso cumprimento das regras e do distanciamento, em defesa da saúde própria, mas também dos outros! É salutar e conveniente que assim seja, nesse modo de conviver; limitado, mas não confinado! O comércio local, os restaurantes, os feirantes e outros viandantes assumem e regem a sua conduta, sem precisar de lições e outras considerações, que roçam, nalguns casos, o ridículo! Claro que vai haver verão e com ele as merecidas férias, as viagens, as feiras, as compras, as danças, o saudável toque da concertina, os sabores e as cores, os sorrisos, sem nunca faltar a força da solidariedade e da amizade. Vai haver aquilo que quisermos que haja atendendo às condicionantes, que são para valer e que prevalecem, mas sem o poder de escravizar! Livres e responsáveis... Sempre!

Não teremos as festas e romarias naquela configuração habitual, popular e foliona. Não haverá, nem programas, nem incentivos ao ajuntamento de pessoas. Os responsáveis, muitos deles já expuseram a sua estratégia, que resulta das tão propaladas medidas preventivas à eventual propagação viral. Haverá no entanto, o dever de organizar e planear: o modo e facilidade de se poder frequentar: os cafés e restaurantes, as lojas e o comércio local, os serviços... Poderá ainda haver temas de (in)formação sobre a história e a vida da comunidade local. Há Concelhos que fazem jus à criatividade, também no âmbito do Turismo promovendo o melhor do seu potencial gastronómico, paisagístico e de rotas adaptadas, de lazer e contacto com a natureza, de habitação. Usando e muito bem plataformas que permitem criar e adaptar, num benéfico incentivo à partilha de experiências, com a família, amigos e até grupos. Foi notícia recente, que em Arcos de Valdevez se esgotou a oferta de habitação de turismo em espaço rural. Isso acontece quando se desenvolve um bom trabalho de casa, se cria um certa dinâmica empreendedora, com formas alternativas de manter e até de avivar a tradição, o património, a gastronomia, o próprio folclore, o artesanato, a feira e o feirão!

A pandemia adiou muita coisa, muitos e bons projectos, mas não deve adiar o dinamismo e a criatividade que nos deve preparar solidamente, para os tantos desafios que temos pela frente! Que se acabe com esse "estado de graça", de comiseração e de aparente benevolência! Em termos políticos há que olhar para novos e consideráveis horizontes desenvolver outras políticas, evoluir nas decisões, trabalhar arduamente para refazer a história, para valorizar a comunidade, desenvolver e atestar prioridades. Que aconteça aquela revolução que devolve uma nova esperança, de valorização e afirmação daquilo que somos e temos, muito para além das festas, do folclore e dos futebóis! O momento é de alerta e alguma perspicácia. O nosso futuro comum prepara-se no imediato! Não se aceitam desculpas, nem qualquer adjectivo ao seu abrigo. Mãos e também cabeça, na dedicação e na defesa de tudo o que nos envolve e atrai. Consolidar e valorizar tudo o que é nosso, no sentido da expansão e da criação de riqueza, tão necessária como urgente! Há muita vida, para além das romaria, que fica noutro plano de interesse e de adesão natural; é do povo, para o povo, que a sonha e depois a vive com intensidade.

A classe política, com destaque para os autarcas tem outras coisas, que são causas, para tratar e defender! Este é um tempo propício, para um histórico acordar, para a reafirmação, que valoriza e promove! Para operar aquela mudança outrora prometida, mas nunca consumada, nem assumida. Encarar com responsabilidade esta actualidade é saltar de um certo comodismo, para dar respostas concretas, para resolver, para elevar. Das percas e dos efeitos desta pandemia deve ressurgir uma nova vitalidade social e política; porque nada será com dantes. Queremos como dado certo, que não se alimento o deserto de ideias e de trabalho. Que à beleza natural, que nos envolve, se junte a qualidade e o prazer de viver e de trabalhar; Os Santos padroeiros, do seu pedestal, terão naturalmente a mesma opinião!

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António Fernandes
Colaborador
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