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O preço da indiferença

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O país acordou esta semana para o problema do racismo. Temos assistido a várias manifestações sobre o caso Marega desde comentários de anónimos nas redes sociais até partidos políticos, passando por jornalistas e finalmente o sr. Primeiro Ministro e sr. Presidente da República Portuguesa.

A verdade é que ao contrário do que o treinador do FC Porto já chegou a afirmar “Já passei por vários campeonatos, como jogador e treinador e, sinceramente, no nosso país, não vejo que haja racismo ou insultos a jogadores de outras nacionalidades. Não acho nada disso, sinceramente.” o racismo nunca deixou de existir no nosso país. O problema não está no que aconteceu com o Marega, está no que aconteceu no passado com tantas outras pessoas para finalmente falarmos todos de Marega.

Afinal como chegámos ao caso Marega no estádio D. Afonso Henriques ?

- Após Eliseu ter sido alvo de insultos com teor racista que foi feito ?
- Após Amilton ter sido alvo também de insultos racistas o que aconteceu ?
- Após Nelson Semedo ter sido alvo durante a primeira parte de insultos racistas que se fez ?

Enquanto a Liga, FPF, entre outros organismos desportivos, entidades civis, clubes, dirigentes, cidadãos de respeito, etc... olharam para o lado o acto foi se repetindo no mesmo estádio. Infelizmente não foi novidade o que se passou com Marega. Quem se lembra dos outros que foram insultados ?

Contudo interessa estudar neste caso é o teor racista que foi alvo. O ambiente de futebol é diferente da maior parte de outros espectáculos e como tal vale apena perguntar se o antigo jogador do Vitória Guimarães era alvo de racismo enquanto jogador do Vitória de Guimarães, ou se o sentimento de racismo apareceu agora que marcou um golo no estádio D. Afonso Henriques pelo FC Porto ?

Afinal que devemos nós fazer senão combater tudo o que é racismo, xenofobia e ódio ? Se nada fizermos e olharmos para o lado apenas contribuiremos para a indiferença.

Desde há décadas que assistimos a uma guerra norte-sul a uma campanha contra os “mouros”, contra o centralismo, contra a capital, etc..
Chegámos aos dias de hoje tendo presenciado ataques terroristas, estádios incendiados, agressões, insultos, pedidos de morte, comportamentos de ódio, e infelizmente a sociedade tem olhado para o outro lado e a indiferença custará caro no futuro. Perdoamos e desculpamos tudo ao nosso clube. A clubite aguda na comunicação social ataca ou defende determinado clube até que o feitiço mais cedo ou mais tarde vira-se contra o feiticeiro, tal como aconteceu com Sérgio Conceição que para desculpar alegados actos racistas no FC Porto afirmou que em Portugal não havia racismo a jogadores de outras nacionalidades.

Não sejamos indiferentes e não sejamos Marega, sejamos sim todos aqueles que tenham sido alvo de racismo, xenofobia e ódio por serem diferentes de nós. O futebol e a sociedade só têm a ganhar com isso !

Bruno Paiva
Author: Bruno Paiva
Colaborador Convidado
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