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PREPARAR O DESCONFINAMENTO

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A pandemia bateu-nos à porta e nós fechámo-nos em casa. Protegemo-nos de um vírus mortal. Porque tão simplesmente era preciso, pela nossa saúde. Mas, fechados que estamos, não sabemos quando havemos de sair de casa e muito menos em que condições vamos fazê-lo.

O grande problema de não ter sido apresentada uma estratégia de combate à pandemia que incidisse não apenas no confinamento, mas igualmente na forma como se procederia ao desconfinamento, é simplesmente o da indefinição e da insegurança relativas a quando e como se há-de proceder a essa transição.

Não é uma decisão fácil. O que está em causa é a proteção da vida humana e ninguém quer correr o risco, muito menos em ano eleitoral, de lhe serem imputadas as perdas maiores por uma decisão precipitada. Em concomitância, a intervenção política não pode reduzir-se a acusações de calculismo ou oportunismo partidário. A situação é demasiado grave para que se prossiga neste ato de terrorismo político dos últimos dias. Interessa bem mais que se debatam propostas, se discuta a eficácia das medidas e se congreguem esforços para se programar e implementar um desconfinamento seguro. É urgente que se comece a arquitetar um plano para a restauração do sentimento de confiança que é necessário incutir a cada Açoriano para que possamos todos sair à rua com segurança.

Dizem os especialistas que o vírus veio para ficar, pelo que o desafio que se coloca é o de nos prepararmos para com ele convivermos. A informação, as ações propedêuticas e a fiscalização são essenciais para que possamos, paulatinamente, abrir a nossa sociedade a uma vida diferente, é certo, mas tão natural quanto possível. Não basta simplesmente abrir espaços e serviços ou até mesmo agilizar os transportes. É preciso fazê-lo de forma a que sintamos confiança e se contribua para o retomar da economia que se encontra fortemente abalada.

Sem meias palavras, o que defendo é que urge passarmos conjuntamente a uma lógica discursiva e de preparação do desconfinamento. De se definir e montar uma estratégia de contenção da transmissão da Covid-19 e de preparação do sistema regional de saúde, atendendo às idiossincrasias das nossas ilhas, em especial as mais pequenas, sem hospital, para melhorarmos a capacidade de resposta a nível dos cuidados de saúde dos infetados, em especial os grupos de risco. Ação esta que não pode ficar encerrada nos corredores do poder político, correndo o risco de não ser percecionada pelos cidadãos e, portanto, ineficaz, uma vez que esta é uma circunstância fortemente influenciada pelas dinâmicas comportamentais de toda uma população.

Face a esta evidência de que uma dinâmica de transição deva ser amplamente globalizada e participada, está na altura de se prepararem e assumirem consensos nesta rota rumo ao desconfinamento seguro. Não confundamos o consenso com o seguidismo que nunca questiona ou faz juízos de valor, ainda mais prejudicial quanto a dimensão do desafio que se nos coloca. Pelo contrário, é necessário debater e prepararmo-nos para todas as condicionantes, de boa-fé e com fundamentação técnica. Desconfinar é urgente e exige uma preparação concertada e conjunta.

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Sofia Heleno Ribeiro
Colaboradora Convidada
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