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Luso-americanos de Nova Iorque preparam Dia de Portugal ‘online’

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(Lusa) – Numa altura em que a comunidade portuguesa em Nova Iorque “está com a moral muito em baixo” uma associação prepara a celebração do Dia de Portugal ‘online’, disse a luso-americana Isabelle Coelho Marques.

A presidente da associação New York Portuguese American Leadership Conference (NYPALC) disse, em entrevista à Lusa, que a comunidade portuguesa de Nova Iorque sentiu um “grande impacto” da pandemia covid-19 e ficou “com a moral mesmo em baixo”.

A NYPALC vai reunir mensagens de apoio de celebridades, políticos portugueses e americanos e comunidade em geral, para transmitir, junto com 'performances' de artistas, num evento vídeo ao vivo no Facebook para celebrar o dia dez de junho.

O evento realiza-se ao vivo no próximo sábado, 06 de junho, na página de Facebook “New York Portuguese”, a partir das 18:00, hora de Nova Iorque (23:00 em Lisboa) e vai ser retransmitido durante 24 horas no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

“Sabem que hoje somos a comunidade mais afetada com isto e acaba por ser uma iniciativa de levantar moral”, comentou Isabelle Coelho Marques, mostrando-se muito grata pelos que apoiam a ideia e vão contribuir com diversas formas de arte e de diversos pontos do mundo.

Para além de artistas e políticos de Portugal e dos EUA, a celebração ‘online’ vai ter participações da África do Sul, Brasil, Canadá, França, Luxemburgo, Suíça e Macau.

O evento no ‘facebook’ não tem fronteiras e vai incluir não só a comunidade de emigrantes estabelecidos em Nova Iorque e outras regiões dos EUA, mas também comunidades lusófonas por todo o mundo.

Nem o rancho vai faltar, para dar o toque e recordação daquilo que se faz realmente nas festas.

Sendo de forma virtual, ficam a faltar os cheiros, as comidas e as multidões. “Isto é muito contra a nossa natureza”, repetiu Isabelle Coelho Marques durante a entrevista.

“Nada ocupa o lugar do contacto físico, especialmente nós, portugueses, precisamos do toque, o olhar nos olhos, a proximidade. É muito contra a nossa natureza”, lamentou.

Para a NYPALC, a comemoração virtual traz dinâmica e originalidade, apesar de que “não vai substituir nunca” as festas, “não só no sentido do espírito que existe de comunhão, de convivência”, mas também pela parte económica, considerou Isabelle Coelho Marques.

Este ano, o Dia de Portugal nos Estados Unidos não vai ter feirantes, nem os clubes portugueses vão poder servir de espaços para refresco e pausas.

No âmbito financeiro, “não há sombras de dúvidas, o impacto é muito grande”.

“Muitas organizações mantêm as portas abertas graças aos eventos que desenvolvem. Com a falta destes eventos, o dinheiro não entra. Muitas [entidades coletivas] já estão a atravessar dificuldades financeiras”, declarou a presidente da NYPALC.

“Achámos que as pessoas estão mesmo desanimadas e achámos por bem, mais uma vez, reinventar-nos”, disse a luso-americana, acrescentando: “Nesta altura do campeonato, acaba por ser a única forma com que podemos trazer algum alento, no meio de uma situação em que vivemos”.

A pandemia de covid-19 teve um impacto muito profundo nos Estados Unidos da América (EUA) e no estado de Nova Iorque, considerado epicentro da pandemia naquele país, e obrigou ao cancelamento de eventos e ao encerramento de negócios, inclusive festas e empresas portuguesas.

Isabelle Coelho Marques recordou que “a comunidade [portuguesa] é super ativa”, principalmente no mês de junho, que traz o verão e as celebrações da cultura portuguesa pelo mundo.

As festas, aliás, começam “logo no final de maio e estendem-se durante o mês inteiro de junho”, para celebrar Portugal em “todos os cantos do estado de Nova Iorque”.

No entanto, com a crise de saúde pública a surgir em fevereiro, tudo teve que ser cancelado, por ordem das entidades governamentais que estavam a trabalhar na autorização e programação das festas portuguesas nos EUA, que atraem milhares de pessoas.

A NYPALC, fundada em 1973, é uma associação sem fins lucrativos e sem afiliações políticas e conta atualmente com 68 organizações como membros, que capacitam os cidadãos portugueses e lusodescendentes de Nova Iorque por meio de advocacia, participação cívica, desenvolvimento comunitário e educação.

Entre os membros da associação sem fins lucrativos encontram-se escolas portuguesas, empresas, centros culturais, grupos folclóricos e outras entidades.

 

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