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Começaram as aulas. Começou o futuro?

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Naquele que devia seguir-se ao culminar de um processo de preparação, o arranque do novo período letivo tem sido extremamente exigente pata todos: professores, alunos, pais e administração educativa. Contudo, para além dos expetáveis desafios que se prendem com a adaptação a um novo sistema de aulas, ainda por cima, a distância, a (in)ação central veio causar mais distúrbio ao sistema.

Deve ser salientado o papel dos diretores de turma e dos professores titulares de turma, que tiveram a incumbência de articular com as famílias e os restantes professores a implementação deste processo, limando junto das famílias as falhas de gestão administrativa (que é natural que surjam) e resolvendo junto da escola os problemas colocados pelos encarregados de educação e pelos alunos. Tem sido um insano trabalho, e só quem lida com a Escola (no sentido de comunidade) entende o nível de exigência de integração sistémica. Multiplicaram-se em contatos por múltiplas vezes, e esta não é uma redundância. De um modo geral, os professores estão em luta contra o tempo, para terem todo o seu material adaptado para o ensino a distância em cada aula ou atividade, com a maior participação possível.

Infelizmente, todo este trabalho acabou por avolumar-se porque não estava tudo atempadamente preparado, não tendo a administração educativa cumprido com o comprometido no que concerne à preparação das plataformas com as quais trabalhamos. É verdade que o que se lhe exigia não era simples: agilizar o já existente SGE (plataforma de gestão do trabalho com os alunos), que tantos problemas já tinha dado, em especial quando sujeito a acessos simultâneos; criar uma conta da Microsoft para cada aluno, para usufruir de todas as potencialidades da aplicação de videoconferências previamente escolhida pela administração central regional (Teams); e ligar o SGE a essa aplicação, de forma que através de um único acesso (ao SGE) se pudesse fazer todo o trabalho. Simplesmente, não foi feito. Os procedimentos de operacionalização de comunicação a distância, a escolha de aplicativos e a calendarização das aulas foram opções centralizadas, estranhamente assentes na sobrecarga de uma plataforma que já dava problemas (SGE). Os professores e as escolas corresponderam, a administração central não, e agora estamos a contornar problemas, com grande custo dos docentes e das famílias, que continuam a ver-se à nora para aceder ao SGE. Se a administração não tivesse andado a criar (novamente dentro desta plataforma) chats e crachás (e agora um canal de videoconferências) completamente acessórios, talvez tivesse tido tempo para fazer o que tinha de ser feito, com grandes ganhos de eficiência, e não estariam os professores e as famílias a tentar contornar dificuldades que não existiriam.

Não faz sentido, assim, a manifestação de regozijo do Secretário Regional da Educação e Cultura, no dia em que se retomaram (efetivamente) as aulas, ao dizer que se ultrapassaram as suas expetativas, fazendo tábua-rasa dos problemas com que toda a comunidade educativa (ainda hoje) se defronta. O primeiro passo para proceder a uma verdadeira reforma na Educação consiste na capacidade de avaliar o que andamos a fazer.

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Sofia Heleno Ribeiro
Colaboradora Convidada
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