MEDICO BRASILEIRO ATENDE EM HOSPITAL ONCOLOGICO EM BRUXELAS
MEDICO BRASILEIRO ATENDE EM HOSPITAL ONCOLOGICO EM BRUXELAS
O oncologista brasileiro, Dr. Evandro de Azambuja, reside em Bruxelas desde 2003, e entrou para o Instituto Jules Bordet para fazer pesquisa clínica como parte do seu doutorado. Três anos depois, passou a fazer parte da equipe de médicos oncologistas de reconhecimento internacional e atende semanalmente pacientes com câncer de mama. O Instituto Jules Bordet, que situa-se no Boulevard de Waterloo, 121 , é mundialmente conhecido pelos avanços no câncer de mama e atrai médicos de várias partes do mundo. Dr. Evandro, 40 anos, é gaúcho de Porto Alegre e é graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul com especialização em medicina interna e oncologia clínica (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre). Em seguida, fez mestrado e doutorado (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre) e atualmente está fazendo um segundo doutorado na Université Libre de Bruxelles, Bélgica. No passado, também fez parte do programa de D.E.S. (Diplome des Etudes Spécialisés) nesta mesma Universidade.
AB.Classificados - Como se integrou ao Instituto Jules Bordet?
A integração ao Bordet foi muito fácil, pois o Bordet está acostumado a receber diferentes médicos de diferentes países. Existe uma certa comunidade internacional de oncologistas vindo para a Bélgica para fazer pesquisa clínica, não somente no Bordet mas também em outras instituições. Hoje sou médico oncologista reconhecido na Bélgica e especializado no câncer de mama. Faço parte de uma equipe fantástica a qual é liderada pela Dra. Martine Piccart, mundialmente conhecida na área do câncer de mama.
Dr: Evandro - O que é câncer? E o câncer de mama?
Câncer é um grupo de doenças malignas caracterizado pela perda do controle da divisão celular (multiplicação celular) e pela capacidade de invadir outras estruturas orgânicas. O câncer de mama é específico do tecido mamário (mama) e apresenta as características de ser invasivo e poder disseminar-se (espalhar) em outros órgãos se não tratado em estágios iniciais.
Quais os fatores de risco para desenvolver câncer de mama?
Existem alguns fatores associados ao risco de desenvolver câncer de mama, entre os quais encontram-se a obesidade (índice de gordura corporal), a ingestão de álcool, o uso de terapia de reposição hormonal (durante a menopausa) etc. Existem outros fatores de risco tipo uma história familiar importante de câncer de mama ou ovário, idade precoce de menarca (primeira menstruação), idade tardia do primeiro parto e idade tardia de menopausa, história de biópsias prévias especialmente por doenças proliferativas da mama.
O câncer de mama é hereditário?
Normalmente o câncer (todos os tipos) não é hereditário. Entretanto, sabemos que, por exemplo, o câncer de mama que ocorre em pacientes jovens pode ser relacionado a algumas alterações genéticas que podem aumentar o risco de uma mulher apresentar câncer de mama, principalmente, em familiares muito próximos (primeiro grau). Para isso, um conselho genético com a possibilidade de pesquisa de mutações em genes específicos (BRCA 1 e 2) é recomendado em alguns casos mas não em todas as mulheres apresentando câncer de mama. O oncologista deve avaliar o risco e encaminhar as pacientes para um conselho genético quando necessário.
Como sei que estou com câncer de mama?
O câncer de mama inicial (estágio precoce), em geral, não apresenta sintomas. Em alguns casos, as mulheres podem palpar pequenos nódulos (caroços) no seio. Nesse caso, uma avaliação médica deve ser realizada. O screening (diagnóstico precoce) é a melhor forma de diagnosticar um câncer de mama precoce. O screening com mamografia é recomendado a cada dois anos em mulheres após os 40 anos e anualmente após os 50 anos (recomendação ideal mas em alguns países o screening a cada dois anos é recomendado). Em casos com história familiar importante de câncer de mama, o screening deve começar mais precoce e, às vezes, deve ser feito por ressonância magnética, dependendo da idade da paciente e segundo orientação médica.
O câncer de mama tem cura?
Atualmente, muitos tipos de câncer (em geral) são curados, desde que tratados em estágios iniciais, demonstrando-se a importância do diagnóstico precoce. As melhorias nos tratamentos do câncer de mama fizeram com que mais e mais pacientes vivam por um longo período, fazendo que muitas mulheres sejam classificadas como sobreviventes em um período longo.
A disponibilidade de diferentes tipos de tratamentos tipo cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonoterapia e terapia biológica aumentaram muito a chance de cura. Entretanto, nem todos esses tratamentos são indicados para todos os casos de câncer de mama. Enquanto que a cirurgia é o tratamento principal do câncer de mama, os outros tratamentos serão indicados após uma exaustiva avaliação histológica do tumor (através do microscópio), do tipo de cirurgia e de uma discussão com o oncologista. Não existe uma receita única para todos os cânceres de mama. Cada caso é um caso!
Quais são os progressos na prevenção do câncer de mama?
Os progressos na prevenção do câncer da mama foram objeto de uma importante apresentação durante o último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clinica (ASCO) em Chicago em junho de 2011. Nesse congresso, investigadores apresentaram resultados de um estudo comparando um medicamento oral (inibidor de aromatize), o qual é normalmente usado para o tratamento do câncer de mama, contra placebo (mesmo comprimido mas sem componente ativo) para mulheres em menopausa (4560 no total) com risco elevado de desenvolver câncer de mama (segundo critérios pré-definidos). Os resultados mostraram que as mulheres usando o inibidor de aromatize apresentaram uma redução significativa (65%) do risco anual de desenvolver câncer de mama. O importante é salientar que nem todas as mulheres apresentam esse risco, portanto, o medicamento deve ser utilizado somente em casos selecionados, após discussão com o médico especialista na área.
O tratamento do câncer de mama é baseado, sobretudo na cirurgia (remoção do tumor), o qual pode ser mastectomia (remoção de toda a mama) ou conservadora (remoção de somente parte da mama ou do tumor). A decisão entre os dois tipos de cirurgia é dependente do tamanho do tumor, do tamanho do seio, e do desejo da paciente. A discussão com o cirurgião e oncologista é fundamental.
Em muitos casos, dependendo do tipo de cirurgia, tamanho do tumor e do envolvimento de linfonodos, a quimioterapia antes da cirurgia esta indicada para reduzir o tamanho do tumor. Também existe uma grande vantagem que é a de testar a resposta do tumor à quimioterapia, permitindo a troca de tratamento em caso de não resposta.
Em geral, o uso de quimioterapia, hormonoterapia e terapia biológica vão depender dos resultados encontrados na biópsia ou na cirurgia, após avaliação por microscópio, e na discussão com o oncologista/ radioterapêutica. Importante é lembrar que nem todos os tipos de tumores devem ser tratados da mesma forma, então, cada caso deve ser discutido para definir a melhor estratégia de tratamento.
E os homens, podem ter câncer de mama?
Sim, homens também podem apresentar câncer de mama, mas isso é muito raro (1% de todos os cânceres de mama). Em geral, o tratamento do câncer de mama em homens é similar ao câncer de mama em mulheres. Entretanto, a participação de homens em estudos clínicos nem sempre é permitida, o que dificulta a melhor caracterização dessa doença nos homens.
Muitas informações sobre o câncer podem ser encontradas em diferentes websites tipo o do Instituto Nacional do Câncer do Brasil (http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home), e o Physician data query (disponível em inglês e espanhol: http://www.cancer.gov).





