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quinta-feira, 02 dezembro 2021

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A burguesia ou o proletariado do teletrabalho?



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As discussões à volta de quem são os privilegiados entre os trabalhadores e desempregados, entre os cidadãos precários e os que pagam impostos, fez entrar no debate uma certa consciência de que vivemos em tempos de profunda ausência de imaginação.

Na falta de mecanismos de reivindicar uma mudança ao nível do Estado, da Europa e das suas instituições e das grandes empresas dos sectores tecnológicos. Na falta de perspetivas, no Horizonte prático, a nível de propostas que possam ter um impacto na nossa vida, escolhemos uma ‘Bigbrotherização’ do comentário político e do debate. Questões complexas são reduzidas a meras divergências de perspetiva. Nunca se debateu tanto e, contudo, nunca uma ausência tão generalizada de um consenso relativamente ao que se quer como sociedade e futuro.

A resposta tem sido produzir novas distinções e cisões entre os cidadãos, no que toca às possibilidades de emprego, num futuro ainda mais globalizado, rápido e competitivo.  A mais recente é o debate em torno da chamada ‘Burguesia do Teletrabalho’.
Hoje trabalhar é um privilégio e, ao mesmo tempo, trabalhar é igualmente um sacrifício face ao que tomávamos como consagrado nos nossos direitos laborais: por exemplo, o direito a poder ter um equilíbrio entre a vida pessoal e a vida do trabalho.
 

E neste sentido, há uma resposta de apatia, generalizada, quando se faz a pergunta pelo futuro: há uma suspensão do tempo; o tempo na sua dimensão mais humana, o tempo das expectativas, das antecipações e, acima de tudo, a estrutura de crenças basilares que possibilitam a tranquila passagem do tempo, segura e com indícios de promessas.

Há um pouco deste sentimento que é partilhado; e nesse sentido, podemos dizer que é uma condição generalizada. Nunca o medo de ficar sem casa, emprego, sem os nossos bens se manifestou com tanta normalidade no quotidiano dos cidadãos, como nas sociedades desenvolvidas.

Há o que alguns chamam de uma ‘Sociedade de Cansaço’, na qual já não é uma estrutura externa a exercer pressão sobre o trabalhador; mas é o próprio trabalhador que impõe a ele próprio uma dada exigência de produtividade, de melhoramento de si próprio em todas as suas vertentes. Tanto na vida afetiva; como na relação com o corpo próprio; os seus hobbies e atividades no tempo livre, todas estas dimensões da vida privada sofrem constantes ‘ataques’, ‘pressões’ que, não obstante o serem internas, correspondem à estrutura da sociedade: Aceleração a todo o custo.  

O cidadão, desta ‘Sociedade de Cansaço’ tem – em aparência – aspirações mais altas e maiores ambições; contudo, a prática demonstra que vive num constante constrangimento mental para adequar as suas emoções ao ‘entusiasmo’ que a empresa pede de si, que os recrutadores e o resto da sociedade pede de si. Nos dias que correm, independentemente do tipo de trabalho ou grau de responsabilidade, já não basta que estejas a oferecer o teu esforço físico e tempo, é também exigido que o façamos com a chamada ‘motivação’, ou o ‘fator’ da paixão.
E neste desespero de, não se saber qual é a sua paixão, ou se está a ser empreendedor o suficiente; o cidadão moderno tem, igualmente, de consumir uma determinada linguagem de marketing e livros de auto-ajuda e empreendimento. Esta nova condição de se ser ‘marketeiro de Si’ próprio, na qual se pensa constantemente qual o melhor modo de rentabilizar a Imagem pessoal, produz também um afunilamento daquilo a que designamos como o nosso campo emocional. Produz falta de empatia.

E esta falta de estabilidade e horizonte de futuro, este ‘Cansaço’, tem um efeito político perverso: faz-nos ser incapazes de termos solidariedade para com modelos de pensamento que sejam diferentes da lógica vigente da produtividade; faz-nos não conseguir ter empatia para com aqueles que sofrem, que nada possuem, que não conseguem ascender às condições necessárias para criar um projeto de vida.

Todo o utilizador da Internet corresponde a esta contradição: é o produto e, ao mesmo tempo o consumidor. É um privilegiado, na medida em que dispõe de um número vasto de conteúdos e informações a que pode aceder e, ao mesmo tempo, ele faz da parte da ‘força de trabalho’ que produz – a cada segundo – o valor acrescentado das plataformas. Vivemos em tempo estranhos, onde o valor de um número reduzido das chamadas Big Tech nos oferecem os Softwares e plataformas sem as quais não conseguimos trabalhar, produzir conteúdos, comunicar. Somos um novo proletariado; que produz as ‘trends’, os ‘memes’, que mantem as plataformas ativas, ao mesmo tempo que ‘vendemos’ – de borla – a nossa informação pessoal; porque, no espaço digital, os nossos dados são a nossa identidade (já não há interioridade).

Os seus serviços correspondem já a uma espécie de renda mensal (modelo subscrição), a qual temos de pagar para usufruir dos nossos materiais básicos e essenciais para podermos competir no mercado de trabalho. Trata-se de uma nova dependência, que faz com que o sector passe para uma lógica ‘rentista’, ao invés de uma lógica produtiva.

As nossas preocupações não devem ser grupos particulares entre os cidadãos, mas como é que podemos reorganizar a sociedade em volta desta nova economia, que parece ser imune a crises, ao desemprego e desaparecimento de negócios locais. Que permeia todo o nosso espaço de trabalho e de lazer.

Perceber se existe algum modelo que possa permitir uma redistribuição de capital, nesta condição de sermos nós a Internet e, não apenas um conjunto finito de empresas privadas.

Luso.eu - Jornal das comunidades
Fábio Alves
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