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sábado, 16 janeiro 2021

Estaria a mentir se dissesse que...



Estaria a mentir se dissesse que te tirava todas as noites da gaiola para te dar uns minutos de companhia. Que te embalava no meu colo para compensar o tempo que ficas sozinha. Estaria então a esquecer-me que, quando adormeces frágil e relaxada nos meus braços, sou eu que fico a olhar para ti, na mais plena certeza que o tempo parou naquele momento. 

O tempo desacelera na leveza do que tu és. Não tenho a certeza se é o tempo que abranda ou se é a tua serenidade que me prende, mas sinto-me suspensa nessa condição intemporal. A força gravítica deixa de existir, e com a sua ausência subtrai-se da realidade a passagem do tempo, assim como o peso dos corpos, deixando-me a flutuar no espaço e nas emoções.

O teu sossego toca-me profundamente. De um safári visual faço um reconhecimento por todos os teus gestos, pormenores e chiliques que, apesar de serem repetidos todas as noites, nunca me cansam. É nessa pata que se enrola no meu dedo indicador, nesses cinco centímetros de orelha e nesses dois dedos de testa que me debruço em pensamentos, interrogações e fascínios. E saber que todas essas qualidades cabem num palmo e meio... Um palmo e meio de fofura! Quanta fofura pode caber num palmo e meio?

Estaria a mentir se dissesse que não procurava racionalizar-te. No momento em que a gravidade volta a entrar no espaço e me permite formular raciocínios, procuro entender-te. Desmistificar-te. Questionar todos os porquês, a tua pequenez, o teu lado selvagem.

És um pequeno espectro de toda a abundância da natureza. Representas uma entre tantas outras formas de vida em que a natureza se espelhou. Com tanta beleza e perfeição. E aí percebo que a natureza também se traduz em qualidades não visíveis ao olhar. Que, de ti, sinto as emoções mais nobres. Será que tudo lá fora é como tu?

Estaria a mentir se dissesse que entendo o quanto consegues confiar num ser humano. Juro que não entendo a maneira natural como te deixas relaxar nos braços de um possível predador. Nunca irei entender. Fechas os olhos e, no embalo dos mimos, rendes-te. Nesse momento suspeito que tudo o que é tocado com a abundância do amor incondicional se rende. A segurança e a confiança que se instalam entre nós faz desligar os teus instintos de alerta. Do fugir do que não conheces. Faz-me, também, olhar para mim mesma e querer ser capaz de me render, suavizando os meus instintos como ser social.

Às vezes pergunto-me quantas coisas se perdem na barreira linguística entre os nossos dois mundos completamente diferentes. Será que sei entender tudo o que tu és? Tudo em ti acontece em proporções tão pequenas e frágeis. Não sei bem como partilhamos tudo isto e como a minha linguagem é traduzida por ti. Mas independentemente das esferas distintas em que existimos, que por linhas ténues nos separam, sei que o que partilhamos.

E estaria a mentir se, por breves instantes do espaço-tempo, achasse que fosse capaz de colocar tudo isso em palavras. 

Luso.eu - Jornal das comunidades
Ana Sofia Graça
Author: Ana Sofia GraçaWebsite: https://www.luso.euEmail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
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Nascida na ilha da Madeira no ano 1994, tirou o Mestrado em Arquitetura em 2018, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Após um estágio europeu e experiências de voluntariado, atualmente exerce a sua profissão no Algarve. Nos seus tempos livres procura aprofundar a vertente mais teórica da sua profissão, na possibilidade de encontrar um caminho onde exista maior equilíbrio entre o exercício do seu ofício e o meio que nos sustenta a todos.
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