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quarta-feira, 27 janeiro 2021

Em modo de apresentação



Não me conhecendo o leitor, uma justificação tenho para me justificar por aqui estar. A aceitação do gentil convite que me foi feito e a que não consegui resistir, não chega. É preciso, pelo menos perante mim, explicar-me.

Quando, há mais de dezassete anos, comecei a escrever para o Despertar do Zêzere, um jornal que abrange terras templárias (Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila de Rei), não me foi difícil saber por que o fazia. As terras do Templo haviam-me acolhido desde os meus dez anos e à minha família como se sempre ali tivéssemos estado. O meu pai colaborara no DZ, e embora já não tivesse condições de saúde para o fazer, o seu nome continuava a constar da ficha técnica do jornal. Da minha parte, era uma forma de agradecer tudo o que recebera, toda a amabilidade para connosco.

Seguiu-se a página da Unicepe, Editora e Livreira do Porto, cujo convite chegou por via das crónicas que eu gravava para o programa matinal Despertar dos Músicos e que estes amigos da Unicepe ouviam. Todas as quartas-feiras. A minha crónica na Antena 2 chamava-se Quarta-Crescente e depois de terminado o programa onde acontecia, assim passou a designar-se a crónica inicialmente semanal, tornando-se depois quinzenal, da Unicepe, a editora que viria, mais tarde, a publicar um dos meus livros, Venite in Silentio.

Mais recentemente, há aproximadamente cinco anos, chegou o convite do Jornal Raio de Luz, em Sesimbra, e mais uma vez não foi possível escusar-me a escrever no jornal ao qual Agostinho da Silva concedera a última entrevista de imprensa, numa terra a que estivera tão ligado por laços emocionais, tal como outro filósofo da minha eleição, António Telmo, amigo e compadre do primeiro, também ele ali tendo residido, ensinado e dirigido a biblioteca municipal.

Mal sabia eu que dentro de pouco tempo uma casa ali me esperaria, como espera hoje, como esperava Agostinho sempre que podia: fins de semana, férias, feriados e outros dias parecidos com feriados ou inventados. Ali tenho vindo a ver crescer a família, a fazer bons amigos, sendo alguns ex-companheiros de Telmo, de Agostinho. Um privilégio.

Mais recentemente ainda, o jornal electrónico Elvasnews, onde escreve uma querida amiga, vem abrir-me as suas páginas a um espaço pessoal de opinião. Se não fora possível resistir às tentações anteriores, ainda menos o seria a esta, sendo Elvas a cidade mais próxima da minha aldeia natal, S. Vicente e Ventosa. A cinco quilómetros de distância, a aldeia onde viveu e praticamente nasceu, mais quilómetro, menos quilómetro, toda a minha família, os meus indispensáveis, desconhecidos e amados antepassados.

Seguir-se-ia, pela lógica, a colaboração com um periódico espanhol, por hipótese de Badajoz, a segunda cidade da minha família, que conversava em português e praguejava em castelhano. Lá faziam as compras, iam ao médico ou passear. Eu própria não tenho dificuldade em sentir-me um bocadinho espanhola.

Mas tal não sucedeu. Um inesperado salto geográfico muito maior, por amável convite, trouxe-me até ao LUSO.eu e aqui estou. Esperando fazer-lhe boa companhia, caro leitor, fazendo aquilo de que mais gosto: escrevendo, particularmente este tipo de texto que anda pela zona da crónica e que me permite uma mais imediata comunicação do que o livro. Ainda que sem rigidez, mas com disciplina, tentarei manter uma periodicidade mensal.

Falta ainda dizer que as razões imediatas para ter aceitado o desafio, para além do gosto pelo género crónica ou texto de opinião, o prazer que me dá chegar a mais leitores, pertencendo estes a uma grande comunidade, a portuguesa, mas também europeia e não só, e o querer corresponder simetricamente à gentileza, não me explicavam por inteiro a loucura de assumir mais um compromisso. Sete crónicas por mês passam a oito. Não me parece mal. Simbolicamente é um número simpático. Contudo, só compreendi a razão de peso numa destas noites ao adormecer (também poderia ter sido ao acordar ou durante um sonho): foi pela minha querida amiga Marijke, a belga mais belga e mais portuguesa que conheço, que aceitei. É verdade que quando era pequena adorava bife com batatas fritas e salada, que é, ao que apurei, um dos pratos nacionais belgas, mas também essa afinidade, para além do Magritte, do Adolphe Sax, do Simenon, do Jacques Brel, da Audrey Hepburn, do Hergé e do chocolate, não explica tudo.

A Marijke começou por ser minha professora numa cadeira opcional de mestrado chamada “Literatura e nonsense”. As suas aulas, um misto de requinte intelectual e humanidade, formando uma mistura de estética e emoção, inesperada aliança numa escola, ainda que superior, ou sobretudo superior, criaram-me a certeza de que a tese, ou seria orientada por ela, ou não seria. Como entretanto Marijke se desgostou dos mestrados e saiu, creio que não batendo com a porta porque é uma pessoa educada, a minha tese… não foi. Limitei–me à parte curricular e fiz muito bem porque fiquei livre para escrever mais livros. Que ela, bondosamente, e também porque é uma leitora compulsiva, foi lendo. E ficámos amigas. Para sempre. Um sempre que antecipo ao sempre, porque tenho a certeza. É à Marijke que dedico esta primeira participação no LUSO.eu.

Aproveito este ainda Janeiro, o novo ano cheio de incógnita, para lhe desejar, leitor, um ano cheio de boas surpresas, criatividade e doçura. Também a todos os colaboradores, à comunidade de leitores, e a quem, benevolamente, me desafiou. Espero estar à altura e tornar este cantinho onde escrevo uma boa companhia para quem ler.

Resta-me agora especular sobre de onde virá o próximo convite. Se o salto geográfico for exponencial, pelas minhas contas deve vir da Via Láctea. Cá estaremos, alguma coisa se há-de arranjar… Nove crónicas? Pois que remédio… Não se diz que não a uma nebulosa.

Luso.eu - Jornal das comunidades
Risoleta C. Pinto Pedro
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