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quinta-feira, 02 dezembro 2021

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8 - Crónica do Homem a Dias - Uma agulha no palheiro



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Ilda abriu a porta a Joaquim. Os encontros de Joaquim com Ilda e Albino eram quase sempre descontraídos. A conversa fluía sem esforço. Também havia silêncios, mas eram silêncios de quem se conhece bem, e não causavam embaraço. Muitas vezes as pessoas falam só para iludir o silêncio. Têm medo do silêncio, como se fosse um vazio que é necessário evitar. Mas isso não acontecia com os três amigos. E, efectivamente, a boa comunicação é aquela em que não há esforço de manutenção. Ela corre como as águas de um rio quando chega à planície.   

Ilda era natural do Porto. Licenciada em TIC, tinha concorrido ao ensino, enquanto nada de mais atraente surgia, e fora colocada na escola da vila. Foi aí que Ilda e Albino se conheceram. Agora viviam na mesma casa, mas não eram casados. Tinham uma filha já adulta.

Ilda tinha decidido não mexer em computadores fora da escola. Mas como todas as decisões que tomamos por defesa própria, esta servia mais como princípio orientador e orgânico do que princípio sagrado. Por isso, Joaquim estava à vontade para lhe pedir apoio na instalação de um novo programa no seu computador portátil. Joaquim conhecia e partilhava as preocupações de Ilda acerca da sociedade global. Ilda criou mesmo o conceito de Pandemia informática. E este conceito é tão cirúrgico que vamos adoptá-lo como coisa objectiva e segura.

Segundo Ilda, a sociedade da informação está a provocar graves danos na saúde das populações e na acumulação da riqueza a nível mundial. A saber:

Os engenheiros informáticos não se cansam de criar novas e sedutoras plataformas para chamar a atenção dos indivíduos. Sabemos como os humanos são ávidos de novidade, pois aquilo que ontem era novidade, hoje já não o é. Daí a ansiedade permanente com que muitos vivem o seu tempo. Por outro lado, retira as pessoas do convívio presencial, amarra-as ao computador retirando-as do ar livre e do necessário exercício físico. Já os romanos diziam: Alma sã em corpo são – e o que está a acontecer é o contrário.

Outra certeza - observava nos jovens, cada vez mais evidentemente, a falta de capacidade para se concentrarem durante algum tempo numa tarefa definida. Isto trará consequências a nível neurológico e de formatação do cérebro que ainda não são claras. O humano tornar-se-á fundamentalmente um consumidor às ordens de alguém. Os tempos actuais apenas aceleraram esse processo.

De uma realidade Ilda estava segura – a poluição visual nas aldeias, vilas e cidades era imensa. Tantos cabos se cruzavam que construíam uma imensa teia nos céus. E o que mais entristecia Ilda era o facto de muitos deles nem sequer serem já necessários, pois a televisão por cabo e satélite tinha tornado as antenas sobre os telhados desnecessárias. Na freguesia, Albino tinha começado uma campanha de sensibilização para este problema. Por isso, oferecia os serviços da Junta, retirando as velhas e ferrugentas e perigosas antenas (por causa das ventanias) e vendia o metal para reciclagem.

 

Por outro lado, e este era um dos aspectos mais negativos, o excesso de informação, que não era informação, porque não tratada, não filtrada, não contextualizada, o excesso de factualidade verdadeira e falsa todas misturadas criavam uma verdadeira cacofonia que tornava impossível distinguir o certo do errado. Era como encontrar uma agulha num palheiro.  Donde a enorme desconfiança que se estava a gerar nas sociedades. Já não sabemos distinguir os factos das opiniões, nem somos capazes de perceber onde está a verdade e a falsidade. Esta desconfiança corrompe tudo em volta, contamina como um vírus.

*O autor não adoptou este AO.

Luso.eu - Jornal das comunidades
Manuel Silva-Terra
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