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quinta-feira, 04 março 2021

Crónica do Homem a Dias - Um braçado de lenha



Depois do almoço lavaram a louça. A mãe, e com razão, nunca quis comprar uma máquina de lavar louça. Dizia que este trabalho a ajudava a relaxar e que havia sempre pouca louça. Além do mais, uma máquina gasta electricidade e produtos químicos. O que lhe custava mais a lavar eram as panelas com arroz pegado, mas isso uma máquina tb não fazia, por isso as deixava a amolecer de um dia para o outro, depois lavava-as com esfregão de palha-de-aço.

H.D. foi buscar um braçado de lenha. A mãe já tinha acendido o lume. Esta era uma actividade que estava reservada aos mais velhos. A mãe passava muito tempo só, dizia que o lume era uma companhia. E era preciso saber tratar desta companhia. Por isso, o lume em sua casa é quase sagrado. O mais velho, o mais sábio, é que tem a mestria de mexer no lume. H. D. relembrou um filme que vira em tempos, um filme de Jean-Jacques Annaud, “A Guerra do Fogo”. Um filme muito educativo sobre a importância deste elemento. O fogo é um dos elementos da vida. Não há vida sem fogo, mais ou menos elevado. A nossa temperatura ronda os 36º, mas a vida dos gatos desenrola-se a 37º. Outros seres vivos têm temperaturas mais baixas. Tudo o que é vivo tem um intervalo de valores de temperatura necessários para criar processos biodinâmicos.

Sem fogo não existiria humanidade, tal como a conhecemos. Quem tem o fogo tem o poder, como podemos ver no filme de J.J. Annaud. Por isso o tratavam como sagrado. O fogo dá poder. Ainda hoje, quem tem maior poder de fogo tem mais poder político, ou o contrário – de tal forma a relação é tão interdependente. As grandes potências económicas são também potências políticas, e exercem o seu poder recorrendo a um vasto arsenal que pode ser accionado a qualquer momento. Estes mísseis podem dar meia volta ao planeta e abrir uma cabeça a milhares de kms. O domínio do fogo pela humanidade é recente. Os gregos antigos que tanto se esforçaram por tornar o mundo apreensível pelo intelecto pensavam que o fogo foi uma oferta dos deuses. A história contada num parágrafo é assim

Prometeu, um deus do Olimpo sagrado, apiedou-se dos pobres humanos, que cá em baixo mourejavam todo o dia para satisfação das suas necessidades. E roubou o fogo do Olimpo e deu aos humanos aquilo que era o seu maior bem. A partir daí os humanos passaram a rivalizar com os deuses. Zeus, o chefe do estado maior general, zangou-se muito. O castigo para Prometeu foi terrível. Mas, a partir de então, os humanos sonham à lareira, constroem utensílios e matam os animais que os ameaçam e matam-se uns aos outros. A política da terra queimada tem sido uma constante ao longo da história da humanidade. E denota o pior da humanidade: se não é para mim, também não será para ti. À letra ou metaforicamente através de palavras o humano tem-se notabilizado por este princípio. Por isso, apenas os mais sábios deveriam ter acesso ao fogo.

Assim pensava H. D. enquanto carregava lenha para a lareira num dia de Natal.     

Luso.eu - Jornal das comunidades
Manuel Silva-Terra
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