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sábado, 17 abril 2021

Época de Furacões



No passado dia 1 de novembro o furacão Goni atravessou a ilha de Luzon, a principal das três que compõem o arquipélago das Filipinas. Deixou para trás pelo menos 25 mortos e as estimativas apontam para que, entre feridos, desalojados e outros prejuízos, cerca de 2 milhões de pessoas tenham sido afetadas, número este que segundo as autoridades filipinas pode atingir os 19 milhões. Quase um quinto da população do país.

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho indicou também que em algumas zonas o furacão Goni varreu do mapa 90% das habitações, tornando antigas urbanizações em cenários irreconhecíveis. Estes são números provisórios do impacto que o maior furacão do ano (e o maior a atingir a nação insular desde 2013) teve e, ainda no rescaldo desta calamidade, o povo filipino preparava-se já para a chegada do furacão Vamco, que acabaria por ser o mais mortífero de 2020.  Tudo isto depois ter sido fustigado por três outros ciclones durante o mês de outubro e de, como o resto do mundo, estar a atravessar as consequências de uma pandemia.

Fenómenos naturais deste género não são novidade na região: furacões formam-se durante todo o ano e entre o mês de junho e novembro, a denominada “temporada de furacões”, o número de ocorrências registadas ultrapassa sempre as 400. Contudo, quando a observação é ampliada para uma escala global os valores são, no mínimo, aterradores. Foi a esta conclusão que a Organização das Nações Unidas chegou quando, no mês passado, revelou que nos últimos 20 anos o número de eventos extremos quase que duplicou em relação ao período entre 1980 e 1999, uma subida atribuída principalmente à crise climática em que vivemos.

Ao todo, os 7348 desastres naturais neste espaço de tempo ceifaram a vida a 1.2 milhões de pessoas e acarretaram um custo estimado de 2.54 triliões de euros. No continente europeu, a França, que contabilizou 76 casos, encabeça a lista de nações atingidas por episódios desta natureza, não se encontrando, no entanto, próxima de incorporar o top 10 de países mais afetados que, para além das Filipinas (304), conta com 7 outros estados asiáticos. Prevê-se que esta tendência aumentará durante esta década, e antevê-se que nações historicamente pouco suscetíveis a fenómenos desta natureza passem a assinalar mais ocorrências, como é o caso de Portugal, que num passado recente sofreu os danos da depressão Bárbara e da tempestade subtropical Alpha, a primeira deste género no seu território continental.

Enquanto que o povo filipino começa a avistar no horizonte a próxima tempestade, do outro lado do Pacífico os Estados Unidos da América têm-se deparado com um furacão de outra espécie nos últimos meses. As eleições presidenciais de 2020, por muitos consideradas umas das mais importantes na História do país, são uma tragédia há muito anunciada e em que têm sido protagonistas momentos reveladores da decadência daquele que se autointitula como o bastião da liberdade e democracia no mundo moderno. Não obstante o triste espetáculo que tem sido apresentado ao mundo, estas eleições foram, sem sombra de dúvida, umas das mais importantes de sempre, não só para os EUA, mas também para o resto do planeta. Nos quatro anos à frente da segunda nação mais afetada por desastres naturais (467), a atual administração norte-americana decidiu retirar-se do Tratado de Paris, um esforço multilateral global para a mitigação das alterações climáticas, e reformular uma agência ambiental nacional que opera segundo uma agenda própria. Foi nomeado para a sua chefia Scott Pruitt, um cético assumido em relação ao papel do ser humano na crise climática que, um ano e meio após tomar posse, apresentou a carta de demissão, pressionado pela revelação de inúmeros casos de corrupção. Este ato eleitoral, ainda com resultados de certa forma incertos, é, portanto, um momento-chave para o futuro: irão os Estados Unidos da América, o segundo maior responsável pelas alterações climáticas, reverter a escolha que foi feita e voltar a integrar o modelo de cooperação internacional, ou continuarão a optar pela sua via, alheios aos múltiplos apelos e desresponsabilizando-se pelas eventuais consequências, comprometendo o esforço de dezenas de outros países?

Nos próximos anos, se tudo se mantiver a este ritmo, o planeta sofrerá ainda mais eventos extremos. O preço a pagar não se contará só em euros perdidos ou habitações destruídas, mas também em vidas inocentes que verão um fim prematuro, e os pelo menos 25 filipinos que faleceram em Luzon passarão a ser centenas ou milhares. Isto porque, enquanto se preparavam para a próxima tempestade, do outro lado do Pacífico alguém decidia que um problema que ultrapassa fronteiras e não poupa quem encontra pelo caminho, não merecia a devida preocupação. E nunca é demais relembrar que a vida destas pessoas está não só nas mãos de quem tomou a decisão, mas também naquelas de quem lhe deu poder para a tomar.

Luso.eu - Jornal das comunidades
Ricardo Dantas
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