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domingo, 11 abril 2021

A mãe Inês Ponte Grancha anseia voltar aos ralis assim que a covid-19 permitir



(Lusa) – Inês Ponte Grancha está desejosa de voltar à competição, após mais de três semanas em casa devido à covid-19, assumindo que é difícil conjugar os ralis com a maternidade, num mundo em que as mulheres ainda ouvem comentários discriminatórios.

“Na verdade, [ser mãe e atleta em confinamento] tem coisas fáceis e coisas difíceis. Porquê? Porque o campeonato foi reduzido e isso acabou por facilitar, de certa forma. No entanto, é difícil. Quando houve provas, é sempre [preciso] gerir… os meus filhos têm quase três anos de diferença. Organizar as coisas para um, para outro, ir para as provas, o estar longe, não é fácil. E, depois, o estar em casa, com os dois, e sem a prática que tanto gostamos, também é difícil de gerir”, explica a copiloto.

Mãe de Duarte, de cinco anos, e de Pilar, de dois anos e meio, Inês Ponte Grancha conta à Lusa que a família esteve “em isolamento”, por ter estado infetada com o novo coronavírus, e que, no seu caso, está há mais de três semanas em casa, porque teve “um princípio de pneumonia na semana passada”, que, “felizmente”, se resolveu “com antibióticos, estando a sua alta agendada para hoje.

“Estou em desespero total. Tem sido assim um bocado atribulado. E com os dois… Venham as provas para eu poder espairecer”, desabafa, a sorrir.

A primeira mulher a ganhar um Campeonato Nacional de ralis em Portugal - foi campeã enquanto copiloto de José Pedro Fontes em 2016 – tem, como costuma dizer, “três trabalhos”: “comecei nos ralis, primeiro, depois a fisioterapia e, depois, ser mãe”.

“Houve uma altura, em que subi ao mais alto nível cá em Portugal, nos ralis… ser piloto profissional ocupa-nos mesmo muito tempo, e eu sou daquelas pessoas a favor de fazer menos coisas e bem do que tentar fazer tudo e correr tudo mal. Aí tive de optar. Acho que não há super-homens nem supermulheres e que nós temos de saber, em certas alturas da vida, abdicar de alguma coisa, para que outras possam funcionar melhor. Na altura, deixei a fisioterapia. Quando estava em prova, estava fora – normalmente, são 10 dias por mês – e os outros dias em casa, a preparar as provas e com os miúdos”, conta.

No ano passado, a pandemia trocou-lhe as voltas, encurtando o campeonato de ralis, e a “muito frenética” navegadora, de 36 anos, decidiu aventurar-se num projeto – “um centro que tem alimentação saudável, estética, beleza e saúde, cerca de 18 especialidades” -, que fez com que tivesse, novamente, de conciliar três atividades.

“Tinha ponderado este ano parar com as provas, porque a clínica é um projeto novo. Não podendo deixar a família ou o projeto novo, só sobravam os ralis, por muito que me custasse. No entanto, fiz aqui das tripas coração e [consegui] com o apoio da família”, revela.

Inês Ponte Grancha reconhece que ser desportista, mulher e mãe em Portugal ainda é muito difícil. “Eu não sou nada feminista, mas acho que somos um país que ainda dá poucas oportunidades às mulheres, acredita pouco nas mulheres, principalmente quando são meios maioritariamente masculinos. E, no meu caso, este desporto, os ralis, obviamente é um mundo de homens. São muito poucas as mulheres. Houve uma altura em que houve mais, mas cada vez há menos. Não é por falta de vontade: eu conheço senhoras mais velhas, que até já estiveram no auge e ninguém fala delas agora, e miúdas que têm uma garra enorme e jeito e não lhes são dadas oportunidades”, lamenta.

A navegadora diz saber que teve “uma estrelinha”, talvez por ter começado muito nova, aos 16 anos, e por ter demonstrado a sua persistência.

“Nunca senti que tinha de provar nada a ninguém, sempre fiz o meu trabalho, a dar o meu melhor, e os resultados foram surgindo e eu acho que fui ganhando credibilidade. […] Eu fico muito feliz por isso, no entanto fico muito triste porque vejo que os patrocinadores não dão apoio. É sempre o comentário ‘a miúda quer ir brincar aos ralis’, é muito isto. Ainda hoje ouço coisas destas, eu ouvi tantas coisas…”, conta.

Garantindo nunca ter sentido “mesmo uma discriminação”, Inês Ponte Grancha detalha que lhe faziam perguntas que nunca ouviu fazer a colegas seus homens, nomeadamente quando ficou grávida e, posteriormente, quando decidiu voltar aos ralis.

“Tinha problemas para engravidar, entretanto consegui milagrosamente, não se sabe como. E eu tive de parar quando estava no auge da minha carreira. E eu pensei ‘pronto, acabou-se, foi bom enquanto durou’. Mas, felizmente, não. A equipa sempre disse que esperava por mim, que queria muito que eu voltasse e assim foi. Entretanto, fui mãe a segunda vez e voltei outra vez e a equipa tem estado sempre lá”, enaltece.

No entanto, e apesar de ignorar as perguntas depreciativas ou os comentários que lhe fazem, a piloto assume que estes não matam, mas moem.

“Eu optei sempre por tentar ao máximo quando estou numa função não pensar muito nas outras. Pode ser frio, mas é como eu consigo ser o mais profissional possível. Eu não consigo misturar. Tanto que quando me dizem ‘não gostavas que eles te viessem ver?’… Sinceramente, não adoro quando a minha família me vai ver. É um foco de [hesita] distração... porque nós temos coração e longe dos olhos, longe do coração. E a pessoa se lá estiver só concentrada naquilo, não está a pensar e não tem tantas fraquezas”, analisa.

As perguntas sobre se não pondera desistir da carreira chateiam-na, como a “chateou muito” que depois do violento despiste no Rali de Portugal de 2017, que a deixou numa cama com uma fratura na bacia, tenham insinuado “muitas vezes” que era “inconsciente ou que não queria saber da família”, por querer regressar.

“Na altura, só tinha o Duarte e aquela coisa de estar deitada numa cama, de barriga para cima, só a mexer a cabeça, e ele vir à cama e tentar subir e não conseguir, dói. É duro. Mas eu fiquei bem. E era a minha profissão, aquilo que eu gosto de fazer, e eu não sou menos mãe ou não dou menos amor à minha família por fazer aquilo que gosto”, conclui.


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